Os conflitos começaram na VAP quando quatro ônibus saíram das garagens e os grevistas tentaram impedir as saídas de mais veículos. Esses quatro coletivos já retornaram para a empresa por questões de segurança. O número de rodoviários querendo voltar ao trabalho começou desde quarta-feira após a decisão dos empresários de descontar os dias paradas dos salários dos trabalhadores.
“A gente está querendo cumprir o que foi decidido na assembleia. Não são dois ou três que vão decidir o que vamos fazer. Tem que marcar a assembleia e aí sim decidir. Enquanto isso temos que manter o que foi determinado, que é de 100% parado”, disse um dos grevistas em piquete em frente à garagem da VAP.
Motorista da VAP, Juliano é favorável ao retorno ao trabalho. Ele reclamou da falta de ajuda da Brigada Militar para os ônibus deixarem às garagens. “Isso é uma decisão dos funcionários. A gente que trabalhar e o pessoal da comissão e da CUT está trancando a frente da empresa. A gente pediu reforço da Brigada Militar, que nos disse que não pode intervir em nada”, declarou à Rádio Guaíba.
Dissídio coletivo
Uma nova tentativa de conciliação entre trabalhadores e patrões foi realizada na tarde dessa quinta no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A novidade foi o ajuizamento do pedido de dissídio coletivo pelo MPT. O órgão alegou que, diante de nenhum avanço nos últimos dias, as tratativas estavam “em caráter litigioso”.
O Ministério Público do Trabalho aguardou até reuniões separadas de ambas as partes para discutirem a possibilidade de um novo posicionamento. Por volta das 17h, os representantes dos rodoviários e do Sindicato das Empresas de ônibus em Porto Alegre se encontram novamente. No entanto, uma diferença de 0,5% não permitiu acordo nas negociações de reajuste salarial. Com isso, a procuradora do Trabalho Beatriz Junqueira Fialho encaminhou a decisão para a Justiça.
A procuradora afirmou que, diante da ausência de diálogo e do transporte público ser um serviço essencial para a população, o MPT teve que agir. Ela destacou também que o ajuizamento do dissídio é uma “medida extrema”.
A partir de agora, conforme a desembargadora do TRT Ana Luiza, o trâmite será o seguinte: os trabalhadores têm 48 horas para apresentar as cláusulas de suas reivindicações e o sindicato patronal ganha 72 horas para elaborar sua defesa. Uma sessão será agendada. A provável data é o dia 17 de fevereiro. Até lá, a população porto-alegrense pode ficar desassistida de transporte público.
Negociação
Nas negociações dessa quinta, o Seopa reafirmou que avançou nas propostas até o limite das suas condições econômicas. O sindicato das empresas chegou a oferecer plano de saúde gratuito aos funcionários e seus dependentes - além dos 7,5% de aumento e vale refeição de R$ 19 que haviam sido apresentados anteriormente.
Os trabalhadores não se agradaram do percentual de reajuste acenado pela patronal. No encontro desta tarde, os representantes chegaram a admitir a possibilidade de aceitar 8% de aumento e arcar com R$ 10 pelo plano de saúde. A contraproposta também foi rejeitada. O Sindicato dos Rodoviários agendou encontro para esta sexta-feira, às 10h, para expressar sua posição pública na sede da Força Sindical.
Com informações do repórter Dico Reis