A escalada do preço do álcool das últimas semanas provocou a perda de competitividade diante da gasolina, conforme os últimos dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), coletados entre os dias 17 e 23 de janeiro. Os Estados onde a vantagem da gasolina é mais significativa que o álcool são Rio Grande do Sul, onde o preço corresponde a 86,9% do valor do litro da gasolina, Pará e Roraima. Só compensa abastecer o carro com álcool em quatro Estados brasileiros – Goiás, Mato Grosso, Pernambuco e Tocantins.
A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do motor a álcool é de 70% do poder nos motores à gasolina. Por isso, os proprietários de carros bicombustíveis devem dividir o valor do litro do álcool pelo da gasolina. Se o resultado ficar acima de 0,70, vale a pena escolher a gasolina. Se ficar abaixo disso, ainda compensa o álcool.
A alta do preço do açúcar no mercado internacional nos últimos meses elevou o valor do álcool nos postos. Esse aumento do açúcar foi puxado pela quebra de safra na Índia, outro grande produtor de cana, e o Brasil passou a suprir também as necessidades de açúcar do país asiático. Como açúcar e álcool são derivados da cana-de-açúcar e há uma necessidade maior de venda ao exterior, os produtores brasileiros acabam dividindo a produção para atender todos os mercados, o de açúcar, aqui e lá fora, e o de etanol.
Segundo a ANP, o preço médio da gasolina para o consumidor brasileiro está em R$ 2,585. O valor observado na semana passada corresponde à segunda alta consecutiva depois que o governo anunciou a redução de 25% para 20% a quantidade de álcool no litro do combustível.
A redução da mistura do álcool na gasolina tem o objetivo de combater a escalada do preço do etanol para o consumidor brasileiro, já que os estoques do produto nas usinas está baixo por causa da entressafra. A medida só entra em vigor no dia 1º de fevereiro.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo, José Paiva Gouveia, não vê relação entre o aumento do preço dos combustíveis com o anúncio da nova mistura e diz que o impacto no bolso do condutor “só deve aparecer no mês que vem”. “A gasolina deve ter um aumento de R$ 0,06 a R$ 0,08 para o consumidor. No caso do álcool, já houve um aumento na semana retrasada e outra pequena alta na semana passada. Para a semana que vem, o combustível deve ficar R$ 0,02 mais caro em relação à última semana.”
Apesar disso, na semana anterior à pesquisa, o preço médio encontrado no País foi de R$ 2,574 e, no período entre 3 e 9 de janeiro (uma semana antes da mudança, portanto), o litro valia em média R$ 2,561 na bomba. Ou seja, houve uma tímida escalada nos preços.
Na capital paulista, uma semana após a determinação do governo, o preço da gasolina aumentou de R$ 2,481 para R$ 2,495. Entretanto, na semana passada (entre 17 e 23 de janeiro), o preço médio caiu para R$ 2,459.
As informações são do R7.
RS é estado com maior vantagem no preço da gasolina sobre álcool
Dados foram divulgados pela Agência Nacional de Petróleo