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RS é o segundo Estado em incidência de câncer de pele

Sociedade Brasileira de Dermatologia quer tornar obrigatório uso e distribuição do filtro solar

Sociedade Brasileira de Dermatologia quer tornar obrigatório uso e distribuição do filtro solar para quem trabalha exposto ao sol
Sociedade Brasileira de Dermatologia quer tornar obrigatório uso e distribuição do filtro solar para quem trabalha exposto ao sol Foto : Pedro Revillion
Aproveitar os dias típicos do verão para ir ao trabalho ou passear com roupas mais leves, e já pegando um bronzeado, é mais prático do que ficar horas tomando banho de sol. Entretanto, sem a devida proteção, essa prática pode colocar em risco a saúde. Na audiência pública que foi realizada no final de novembro, em Pernambuco, a regional da Sociedade Brasileira de Dermatologia sugeriu a criação de uma lei que tornasse obrigatório o uso e a distribuição do filtro solar para quem trabalha exposto aos raios ultravioleta (UVA e UVB).

O RS é hoje o segundo Estado com maior incidência do câncer de pele no país, o que tem levado especialistas na área a recomendar o uso permanente de bloqueadores solares. O protetor deveria ser visto como um equipamento de proteção individual. É nisso que acredita o dermatologista e professor da faculdade de Medicina da PUCRS, Sergio Célia. "Até os 18 anos, as pessoas já receberam cerca de 80% da radiação solar maléfica. Ainda assim, a proteção tem uma grande importância. É mais uma forma de prevenir o acúmulo da radiação ultravioleta A e B e da luz visível, causadoras do câncer de pele", explica.

Há ainda outras formas de evitar a doença. Hoje existem roupas, chapéus e bonés criados especialmente para bloquear os raios ultravioleta. "Quem trabalha muito tempo embaixo do sol deveria usá-las", acredita o médico. O câncer de pele é a consequência do efeito acumulativo da exposição aos raios solares. Comum em pessoas acima de 40 anos, a doença apresenta altos índices de cura se for detectada precocemente.

Pessoas que utilizam protetores já notaram a diferença na pele. É o caso de Antonio Jorge Silveira da Silva, de 60 anos, um dos funcionários da Smam. Nos 25 anos em que trabalha no Parque Farroupilha com serviços gerais, somente nos últimos três começou a se proteger do sol. Érida Barcelos, 44, também ficou feliz com a iniciativa. Seu marido Paulo Ricardo, 43, colega de Silva na Sman, vem usando filtro. "Quando ele começou a usar a pele melhorou muito", conta.

Capital obriga a fornecer protetores

Em Porto Alegre, já existe a Lei 7.332/93, que estabelece a obrigatoriedade do fornecimento de equipamento de proteção solar a quem exerce atividade laboral das 9h às 17h. Desde 2007, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) distribui o produto aos funcionários. "Em alguns setores ainda há resistência quanto ao uso, mas nós precisamos lembrar que o sol não está só na praia, mas também no dia a dia", explicou o supervisor de praças, parques e arborização urbana da Smam, Luiz Alberto Carvalho Junior. Desde 2007, até dezembro deste ano, foram investidos R$ 15 mil na compra dos protetores. A Empresa Brasileira de Telégrafos (EBCT) também integra as instituições, no Estado, que aderiram à distribuição do produto para proteger os servidores. Os empregados que trabalham externamente, como os carteiros e os motoristas, recebem o filtro desde 2006.