A previsão do Ministério da Saúde é de que deve levar três meses para ocorrer o declínio do surto de ebola, na África. Até lá, a Secretaria Estadual da Saúde capacita profissionais de todo o Estado e mantém ativado um plano de enfrentamento ao vírus. Nesta quinta-feira, cerca de 100 profissionais estiveram em Porto Alegre para participar de mais um treinamento. Desta vez, o trabalho se focou em profissionais que atuam em cidades de Fronteira, na Capital e em cidades de mais de 100 mil habitantes.
A médica sanitarista responsável pelo plano da Secretaria Marilina Bercini explica que os procedimentos só alcançarão um nível maior de ativação se constatados casos da doença dentro do País. “Um nível mais alto do que hoje vai nos exigir pensar em mais hospitais de referência, mais capacitações, compra de mais EPIs e o Ministério da Saúde certamente vai ter que aumentar o número de laboratórios responsáveis pelo diagnóstico”, diz.
Hoje, no Rio Grande do Sul, apenas o Hospital Conceição é considerado referência e já está equipado de forma a agir de maneira segura, bem como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Paralelo a isto, o Estado está comprando mais Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como botas, máscaras, luvas, óculos, macacão, protetor facial.
“O contato deve ser mínimo com os pacientes com suspeita de ebola”, coloca Marilina, ao lembrar que a contaminação não ocorre pelo ar, mas pelo contato direto com o sangue e secreções que contiverem o vírus. O período em que a pessoa infectada passa a transmitir o ebola só inicia após o surgimento dos sintomas. Durante o período de incubação, a pessoa não transmite o vírus.
O plano de ação passa a ser desencadeado no momento em que for apontada alguma suspeita. Se um passageiro de avião apresentar sintomas, a aeronave já pousará em área remota no aeroporto. O paciente, então, será removido pelo Samu até o hospital de referência, onde será feita a coleta para o exame. Hoje, o Ministério da Saúde orienta que todos os casos sejam transportados ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Para ser considerado caso suspeito, o paciente tem que apresentar febre de início súbito, podendo ser acompanhada de sinais de hemorragia, e ter estado nos últimos 21 dias em um dos países com transmissão disseminada (Libéria, Guiné e Serra Leoa).
RS apresenta plano para combater o ebola no Estado
Cerca de 100 profissionais estiveram em Porto Alegre para participar de mais um treinamento