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RS perde 23,5% dos potenciais doadores de órgãos

Registro é superior à média nacional, de 18%

Encontro apresentou recomendações para o correto diagnóstico da morte encefálica
Encontro apresentou recomendações para o correto diagnóstico da morte encefálica Foto : Vinícius Roratto
O Rio Grande do Sul registrou, no ano passado, um índice de perda de potenciais doadores de órgãos e tecidos de 23,5%, enquanto a média nacional ficou em 18%. Os números foram divulgados nesta quinta-feira pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), no 16º Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva, na Fiergs. Em termos de Brasil, aproximadamente 1,3 mil doadores potenciais foram perdidos. Como a média de órgãos doados por pessoa é de três, são quase 4 mil que deixaram de ser transplantados.

Para o secretário-geral da Amib, Fernando Machado, mudar essa realidade passa por dois pontos-chaves. “Precisamos padronizar as diretrizes para doação de órgãos no Brasil e melhorar os processos de diagnóstico da morte encefálica, qualificando a abordagem das famílias dos doadores”, apontou.

Durante o evento, que termina neste sábado, será apresentado aos mais de 4 mil médicos participantes o documento “Diretrizes para Manutenção de Múltiplos Órgãos no Potencial Doador Falecido”. O manifesto é semelhante aos elaborados na Europa e Canadá e traz uma série de recomendações para o correto diagnóstico da morte encefálica, abordagem familiar e manutenção dos órgãos para transplante.

Outra questão salientada pelo especialista é a necessidade de mudança de mentalidade na classe médica, especialmente com os profissionais que trabalham nas UTIs. “O transplante de órgãos começa com o atendimento na UTI. Muitas vezes o médico diz que não tem tempo para cuidar de uma pessoa com vida e deixa em segundo plano o paciente em situação mais grave e sua família”, comentou, Machado ressaltou que o trabalho do profissional de saúde é de recuperação. “A captação de órgãos vem depois, mas é preciso estar atento aos protocolos que indicam um doador potencial”, advertiu.

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