Para o secretário-geral da Amib, Fernando Machado, mudar essa realidade passa por dois pontos-chaves. “Precisamos padronizar as diretrizes para doação de órgãos no Brasil e melhorar os processos de diagnóstico da morte encefálica, qualificando a abordagem das famílias dos doadores”, apontou.
Durante o evento, que termina neste sábado, será apresentado aos mais de 4 mil médicos participantes o documento “Diretrizes para Manutenção de Múltiplos Órgãos no Potencial Doador Falecido”. O manifesto é semelhante aos elaborados na Europa e Canadá e traz uma série de recomendações para o correto diagnóstico da morte encefálica, abordagem familiar e manutenção dos órgãos para transplante.
Outra questão salientada pelo especialista é a necessidade de mudança de mentalidade na classe médica, especialmente com os profissionais que trabalham nas UTIs. “O transplante de órgãos começa com o atendimento na UTI. Muitas vezes o médico diz que não tem tempo para cuidar de uma pessoa com vida e deixa em segundo plano o paciente em situação mais grave e sua família”, comentou, Machado ressaltou que o trabalho do profissional de saúde é de recuperação. “A captação de órgãos vem depois, mas é preciso estar atento aos protocolos que indicam um doador potencial”, advertiu.