Diante de uma crise de abastecimento, chama a atenção o volume de água desperdiçada. O relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento apontou que, em 2013, 37% foram para o ralo entre o tratamento e a distribuição. No ano anterior, foi 36,9%. A recomendação é que as perdas não cheguem a 20%. Entre as principais causas estão vazamentos em adutoras, redes, ramais, conexões e reservatórios das prestadoras de serviço. O relatório sugere melhoria na gestão e modernização dos sistemas.
O diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Elisandro de Oliveira, explica que, do percentual desperdiçado em Porto Alegre estão incluídos os vazamentos (8%), as perdas geradas por ligações irregulares, os chamados gatos (10%), e as lavagens do sistema (8%).
RS e regiões:
• O RS apresentou 37,2% de desperdício, enquanto que a Capital ficou abaixo da média: 26,2%.
• Para Porto Alegre chegar a 20%, o Dmae tenta minimizar o número de ligações irregulares. Cerca de 32 mil pessoas, em 20 comunidades, passaram a pagar a tarifa social.
• As regiões Norte e Nordeste do país têm a maior taxa, 50,8% e 45%.
Tratamento é aprimorado
À medida que vão surgindo problemas ou existe queda da qualidade da água bruta, as técnicas de tratamento são aperfeiçoadas. Em Porto Alegre, foram implantadas muitas mudanças. Desde 2005, unidades de pré-tratamento elevaram a qualidade da água. As estações antigas seguem o trabalho, mas somente depois de o produto passar pelo primeiro processo.
A proliferação de mexilhões que se adaptaram ao Guaíba, depois de chegarem a Porto Alegre nos cascos dos navios, obrigou o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) a desenvolver soluções para diminuir a quantidade que entupia o sistema de captação. São usados agentes oxidantes, além de carvão ativado. A tecnologia é limpa e não deixa resíduo na água. “Não cloramos a água bruta. O carvão ativado atua no gosto e na clarificação”, explica a gerente do processo de tratamento de água do Dmae, química Sissi Maria Maciel Cabral. Ela ressalta que o departamento pesquisa as inovações implementadas no mundo inteiro para avaliar qual a técnica se adapta melhor à realidade e à necessidade da Capital.
RS tem 37,2% de desperdício de água, aponta relatório
Estudo aponta para volume desperdiçado