Geral

Rua dos Andradas é quarto de moradores de rua e depósito de lixo na Capital

Quem trabalha e mora na região central convive todos os dias com lixo, consumo de drogas e dejetos humanos espalhados nas calçadas

Rua dos Andradas é quarto de moradores de rua e depósito de lixo na Capital
Rua dos Andradas é quarto de moradores de rua e depósito de lixo na Capital Foto : Mauro Schaefer
Rua dos Andradas, um dos mais importantes cartões postais do Centro Histórico de Porto Alegre, produz um retrato menos poético depois que o Sol mergulha no Guaíba. Lixo, barulho, usuários de drogas, excesso de consumo alcoólico, moradores de rua e andarilhos, flanelinhas não autorizados, dejetos humanos na calçada. São estes os principais inconvenientes relatados por gente que vive e trabalha nos prédios instalados na tradicional Rua da Praia.

"É deplorável. Incomoda muito", resume o diretor administrativo do Montepio da Brigada Militar, Paulo Benhur Costa. De acordo com ele, todas as tardes, a calçada entre as ruas Caldas Júnior e General Bento Martins é transformada em "uma miniusina de reciclagem". Benhur se refere aos catadores de lixo que costumam usar o passeio público do Centro para sua atividade.

A conta sinistra, no entanto, não fica por aí. "As pessoas bebem demais e urinam pelos cantos; catadores e mendigos rasgam sacos de lixo. A sujeira fica toda para os funcionários dos prédios e trabalhadores do DMLU limparem", acrescenta Eduardo Gomes Pereira, que há um ano e meio trabalha como porteiro em um dos prédio mais imponentes da região, próximo à Casa de Cultura Mário Quintana.

Quem conhece bem o resultado da matemática por trás da noite urbana é a gari Luciane de Oliveira. Todas as manhãs, ela sai de Viamão para garantir o sustento dos três filhos pequenos. "Às vezes é ruim, mas na maior parte me faz sentir bem por estar ajudando a conservar a cidade", descreve a trabalhadora que, de vassoura, pá e carrinho, recolhe resíduos e dejetos das 8h às 16h30min.

Nem mesmo a proximidade com os quartéis do Exército, da Brigada Militar e da Marinha (Capitania dos Portos) intimida os baderneiros. Se é verdade que respeitam a área, também é fato que, assim que passam a calçada, seguem fazendo arruaça. O mau hábito é comprovado pela Polícia Civil. Segundo o delegado Paulo Cesar Jardim, titular da 1 DP, a praça Brigadeiro Sampaio é utilizada para consumo de drogas e dormitório. O delegado indica que, apesar de reconhecerem os problemas, poucas pessoas formalizam denúncias à Polícia. Ele também enfatiza que problemas sociais como a catação e a mendicância - na antiga nomenclatura, "vadiagem", usada para caracterizar a desocupação - "produzem na comunidade uma sensação desconfortável de insegurança". Em tempos passados, diz ele, essa "vadiagem" podia render até 30 dias de reclusão, algo hoje impensável.

Jardim aconselha que a comunidade registre o boletim de ocorrência sempre que testemunhar delitos envolvendo drogas, furtos, extorsão por flanelinhas e comportamentos constrangedores ou inconvenientes de pedintes. O delegado recomenda ainda que pessoas idosas evitem sair sozinhas à noite para caminhar pelas ruas do Centro.

Bookmark and Share