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São Lourenço se recupera da pior inundação do município

Enxurrada ocorrida em março transbordou rio, arrancou árvores e causos prejuízos ao comércio

O município de São Lourenço do Sul, na Zona Sul do Estado, vem sendo frequentemente castigado por fenômenos climáticos. Nos últimos nove anos, foram emitidos sete decretos de situação de emergência. O clima somente deu trégua para a cidade em 2007 e em 2009. “Em janeiro de 2009, enfrentamos uma enchente. Em novembro de 2010, uma precipitação de granizo atingiu as localidades de Sesmaria, Harmonia, Bom Jesus e Picada das Antas e, em 10 de março, uma enxurrada atingiu as zonas urbana e rural, provocando sete mortes por afogamento”, enumera o prefeito José Sidney Nunes de Almeida, o Zé da Gaita.

Essa última inundação foi a pior que já atingiu São Lourenço do Sul. Na zona urbana, a água alcançou 3 metros de altura depois do transbordamento do arroio São Lourenço, que corta o município. Além de arrancar árvores, a força do rio fez com que pelo menos 15 mil pessoas fossem retiradas de suas casas. A água também provocou danos em empresas, estabelecimentos comerciais, indústrias e em estaleiros, afetando a economia do município foi afetada.


Devastação de março ainda está visível pelas ruas e na área rural | Crédito: Pedro Revillion / CP Memória

No porto de pescadores do bairro de Navegantes, dezenas de barcos foram lançados contra moradias. Com cascos danificados, pesqueiros naufragaram. Pequenas fábricas, supermercados e lojas perderam todo o estoque. A destruição resultou em perdas de R$ 165,2 milhões. No montante, estão contabilizados os prejuízos superiores a R$ 1 milhão no setor pesqueiro e os R$ 10,3 milhões na indústria local.

No comércio foram perdidos R$ 3,5 milhões e outros R$ 2,1 milhões junto aos prestadores de serviços. Somente no setor rural, as perdas atingiram R$ 19,1 milhões. O impacto financeiro causado pela enxurrada também é composto de cifras perdidas nas lavouras de arroz, em estabelecimentos de ensino, na rede hoteleira, no camping municipal, em unidades de saúde e na infraestrutura, como vias, pontilhões, pontes e estradas.

Somente a Secretaria da Fazenda projeta uma quebra de R$ 5 milhões na receita por conta da isenção do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) concedida aos donos de imóveis atingidos pela enchente e em decorrência de outros gastos emergenciais. Somente para remover o entulho e a lama que se acumularam no canal do rio São Lourenço, serão necessários R$ 1,8 milhões. “Nem conseguimos nos recuperar dos prejuízos registrados em 2010, que somaram R$ 4,49 milhões, e já temos novas perdas”, lamenta o prefeito.

Apesar das promessas, o município não recebeu apoio financeiro da União e do Estado para atenuar os danos provocados pelo granizo do ano passado. “Mesmo que a ajuda chegue, teremos dificuldade para fechar as contas em 2011”, projeta.

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