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Só mudança na legislação pode diminuir assaltos, diz presidente do Sintáxi

Luiz Nozari acredita que execução de colegas foi vingança contra categoria

Somente uma mudança na legislação pode diminuir os assaltos contra os profissionais do volante, acredita o presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari. "A Brigada Militar faz o que pode, a Polícia Civil também, mas os 'marginais' têm certeza da impunidade. Os nossos parlamentares não modificam a lei, que só beneficia os criminosos. Os magistrados continuam lavando as mãos, e o Executivo também tem suas amarras", desabafou.

Para o presidente do Sintáxi, a execução de três colegas na madrugada de sábado foi uma vingança contra a categoria. Nozari informou que são registrados, em média, seis ataques diários contra taxistas na Capital. Nozari lembrou, no entanto, que a maioria dos taxistas não faz boletim de ocorrência. Ele afirmou que o comportamento seria resultado da descrença dos profissionais na recuperação do dinheiro roubado.  

Segundo Nozari, uma das alternativas para evitar os ataques seria eliminar o dinheiro dos veículos com o uso de máquinas de cartão de crédito. Ele informou que o número de profissionais que utiliza os equipamentos não é grande, porque os taxistas acreditam que o sistema não é lucrativo. No entanto, o sindicalista alertou que o custo de manutenção é menor do que o preço da segurança no trabalho.

Sobre o uso de cabines blindadas – outra alternativa para dar mais segurança aos taxistas – Nozari esclareceu que só funciona quando poucos profissionais utilizam. "No momento em que diversos utilizarem, a cabine perde a efetividade, já que os criminosos mudam de estratégia", explicou. Segundo ele, em Caxias do Sul é obrigatório o uso das cabines e o municípío tem o maior índice de assaltos contra taxistas no Estado.

Mortes e protestos

Na madrugada desse sábado, três taxistas foram executados com tiros na cabeça em Porto Alegre: Cláudio Gomes, 59 anos, Edson Roberto Loureiro Borges, 50 anos, e Eduardo Ferreira Haas, 31 anos. 

Gomes foi encontrado morto no bairro Mario Quintana, zona Norte da Capital, junto ao veículo Corsa Classic. A vítima tinha ponto na Estação Rodoviária. O corpo de Haas foi localizado no bairro IAPI. Ele ficava em um ponto na avenida Assis Brasil. O veículo Corsa Classic que ele conduzia foi abandonado na rua Mata Bacelar, no bairro Auxiliadora.Já Borges, que conduzia um Passat e atuava em uma empresa de tele-táxi, foi localizado na rua Dos Nautas, na Vila Ipiranga. O veículo foi abandonado na rua Bogotá, entre os bairros Jardim Lindóia e São Sebastião.

Em função das mortes dos taxistas, uma série de protestos foi organizada pela categoria. O primeiro ocorreu imediatamente após a localização do corpo de Cláudio Gomes. A manifestação terminou em frente à casa do governador Tarso Genro. Na tarde de sábado, uma carreata pediu mais segurança para categoria em Porto Alegre.

No final da tarde desse domingo, uma nova carreata saiu do Largo Zumbi dos Palmares, na avenida Loureiro da Silva, e seguiu até a Estação Rodoviária e o Aeroporto Internacional Salgado Filho. A manifestação complicou o trânsito na Capital na volta do feriado de Páscoa.

Com informações do repórter Jerônimo Pires

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