Apesar da proibição, muitos salões de beleza continuam realizando bronzeamento artificial em câmaras de raio ultravioleta em Porto Alegre. O uso do procedimento não é permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 11 de setembro de 2008. A repórter Marjulie Martini, da Rádio Guaíba, conversou com donas de estabelecimentos em diversos bairro da Capital.
A proprietária de um salão na avenida José de Alencar, no bairro Menino Deus, afirmou que tenta uma liminar na Justiça para poder oferecer o procedimento. Ela ainda não conseguiu, mas sabe de outros institutos que continuam realizando o bronzeamento em câmaras. "Eu ia até aumentar para 12 sessões o pacote por R$ 90, mas como é período de férias, a Justiça funciona mais devagar. No centro, eu sei que tem um salão que está fazendo, mas não sei o nome", contou.
Mais duas ligações e a reportagem chegou ao telefone de um salão na rua Otávio Rocha, no centro de Porto Alegre. A atendente falou dos preços e da quantidade de sessões. "Como suspenderam antes, a gente oferece uma sessão por vez, de 15 minutos, por R$ 10. A gente não oferece pacote, porque vai que suspendem de novo, aí a cliente fica com agenda aberta", explicou a moça. A funcionária afirmou que há muita procura, mas que é possível agendar o bronzeamento para o mesmo dia. E, segundo ela, o serviço funciona sem liminar da Justiça. "Estamos funcionando porque liberaram", disse a atendente, referindo-se à liminar concedida no início de janeiro pela justiça.
A oferta de bronzeamento em câmaras de rádio ultravioleta é ilegal. A Justiça Federal de Porto Alegre chegou a conceder uma liminar à Associação Brasileira de Bronzeamento Artificial liberando o uso das câmaras de bronzeamento em 11 de janeiro. Mas, em 22 do mesmo mês, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), suspendeu os efeitos da liminar.
A proibição é baseada em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em julho do ano passado. Segundo as pesquisas, o risco de câncer devido à utilização do equipamento passou de "causa provável" para "causa concreta" de tumores de pele. Especialistas internacionais concluíram que o risco é elevado em cerca de 75% quando se utiliza a câmara de bronzeamento antes dos 30 anos.
A fiscalização da Vigilância Sanitária de Porto Alegre funciona através de denúncias, que podem ser feitas pelo telefone 156. O nome do salão foi repassado ao órgão, que irá verificar a legalidade da oferta do serviço.
Salões de beleza fazem bronzeamento artificial na Capital
Vigilância Sanitária proibiu procedimento em setembro de 2009