De acordo com o responsável técnico médico pelo Samu, Jader Gus, das 15 equipes, 12 são básicas, formadas por um motorista e um técnico em enfermagem e três têm o reforço da presença de um médico. Ao receber uma ligação no número 192, uma telefonista recebe as informações preliminares sobre o que está se passando com a vítima e as repassa a um médico regulador, que faz a triagem e define se será enviada equipe do Samu ou se o atendimento será feito pelo telefone.
Gus diz que no caso da estudante de Enfermagem Gabriela Franciscatto, que acabou morrendo na terça-feira sem receber socorro, mesmo após uma amiga dela ter acionado o Samu, não houve negativa no atendimento. “A amiga que acionou o serviço estava em outra cidade. Ela repassou algumas informações à equipe, mas o médico solicitou que alguém que estivesse perto da vítima ou a própria, se estivesse em condições, entrasse em contato. Depois disso, não houve outro contato”, informou o médico. Mesmo assim, Gus reconhece: “os protocolos não são absolutos. Situações como essas servem para que os procedimentos sejam revistos”, afirma.
Mesmo contando com apenas 15 equipes para atender a demanda da Capital, Gus diz que Porto Alegre dispõe de estrutura dentro da média, conforme o estabelecido pela Portaria 2048 do Ministério da Saúde, que regulamenta os serviços de urgência e emergência. Do total de chamados recebidos no dia, cerca de 40% é trote, afirma o médico. “Aos demais, conforme a triagem que é feita, são enviadas de 150 a 200 ambulâncias para atendimento por dia nas ruas”.
A previsão, diz o coordenador técnico médico do Samu, é que até o final de 2012 o serviço ganhe mais três equipes básicas. Motoristas, técnicos em enfermagem e médicos ingressam no Samu através de concurso público.
Cremers também investiga
Os dois casos levaram o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) a anunciar sindicâncias para averiguar a prestação de socorro pelo Samu. Com isso, sobe para cinco o número de procedimentos investigativos abertos, em menos de 30 dias, pela entidade médica, envolvendo casos de morte, divulgados pela imprensa gaúcha, em função da falta de atendimento imediato ou de leito a pacientes em estado grave. Três deles foram registrados na Capital, um em Viamão e um em Sapiranga.
A entidade vai averiguar as responsabilidades dos médicos envolvidos em cada situação e abrir processos disciplinares caso fique comprovada a falta ética.