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Santa Cruz do Sul aprova contratação de urgência para suprir saída de médicos cubanos

Secretário de Saúde afirma que população não ficará sem atendimento

Cubanos Jesus Sotolongo Goméz casou com brasileira e pretende ficar
Cubanos Jesus Sotolongo Goméz casou com brasileira e pretende ficar Foto : Bruno Pedry / Gazeta do Sul / CP
A Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul aprovou na noite de segunda-feira, por unanimidade, o projeto de lei encaminhado em regime de urgência para a contratação de três novos médicos com o objetivo de suprir parte das cinco vagas abertas com a saída dos cubanos. Nesta quinta-feira outro documento deve ser encaminhado ao Legislativo para que a prefeitura tenha o aval para contratar mais três. O secretário municipal de Saúde, Régis de Oliveira Junior, afirma que a população não deverá ficar sem atendimento.

O município de Santa Cruz do Sul ainda não foi comunicado oficialmente sobre a saída dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos. Mesmo assim, aqueles que retornarem ao seu país receberão ajuda da prefeitura nos trâmites para devolução dos imóveis locados, venda de móveis e equipamentos e deslocamento até o aeroporto. O secretário Régis de Oliveira Junior informou que 11 médicos atuam em Santa Cruz do Sul através do Programa Mais Médicos do governo federal, dos quais cinco são cubanos.

O secretário disse que os médicos do programa trabalham diretamente na atenção primária, junto com as Estratégias de Saúde da Família. O regime de trabalho é de 40 horas, cinco dias por semana. O repasse do salário é feito pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Em contrapartida, o município concede auxílio-moradia no valor de R$ 1,5 mil e mais R$ 700,00 de alimentação, totalizando uma ajuda de R$ 2,2 mil. O deslocamento da residência até o local de trabalho também é custeado pela Prefeitura.

Um dos médicos cubanos que atua no programa é Jesus Sotolongo Goméz, de 52 anos. Ele atende pacientes na unidade da Estratégia de Saúde da Família (ESF) da localidade de Alto Paredão, mas mora em Passo da Mangueira, no interior de Passo do Sobrado. Há quatro anos e nove meses na região, o médico é um dos profissionais que terão que deixar o Brasil até o dia 12 de dezembro. Casado há quase dois anos com a professora de Educação Infantil Joice Letícia Linhares, Goméz pretende voltar à região, onde, além das atividades médicas, ocupa o tempo com o trabalho na propriedade onde vive, entre o cultivo de tabaco e a lida com os animais.

Na área de abrangência da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde há 23 cubanos que devem deixar suas ocupações para voltar ao país de origem. Em Sinimbu, a alternativa foi encaminhar um médico do posto central até a localidade de Pinhal Santo Antônio, onde um cubano atendia a população. A secretária de Saúde do município, Sinara Diehl. afirma que diante da proposta de encerrar o convênio, o ideal seria que o processo fosse realizado aos poucos, para evitar prejuízos à atenção básica. Em Vale do Sol, uma médica cubana atendia no interior, em Faxinal de Dentro. “Essa mudança representa muitos transtornos. Se tivermos que colocar um médico por processo seletivo, por exemplo, o custo vai aumentar muito, e já estamos com a folha de pagamento no limite”, afirma a titular da Saúde, Beatriz Krainovic.