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Sargento da BM lamenta morte de égua: "Não tem como descrever o que estou sentindo"

Animal morreu em serviço, em frente ao Estádio Beira-Rio, antes da partida entre Inter x Tolima, pela Libertadores

Sargento lamentou morte do animal
Sargento lamentou morte do animal Foto : Arquivo Pessoal / Divulgação / CP

Menos de uma semana após a despedida do grande companheiro, ao lado do qual a égua Justiceira trabalhou nos últimos quatro anos, ela faleceu. "É difícil. Se pudesse, diria para ela que galope no céu com bastante liberdade, é o que eu tenho pra dizer no momento, não tem como descrever a dor que estou sentindo", comentou o sargento Negreiros, que se despediu da parceira na sexta-feira, dia 21 de fevereiro, quando se aposentou do 4º Regimento de Polícia Montada (4º RPMon). "Minha esposa chorou com a última foto que tiramos, foi um momento especial, mas parecia que ela estava realmente sentindo que era nossa última foto", lembrou.

Quando Negreiros chamou Justiceira pelo nome, disse que ela retribuiu relinchando, como de costume. "Era isso que ela sempre fazia quando eu chamava, foi uma cena bacana, mas foi uma despedida triste, ela foi minha companheira de serviço nos últimos anos", disse. Pouco depois do falecimento, o tenente "Fanfa" que estava com ela no pátio do Estádio Beira-Rio, entrou em contato com Negreiros e disse que estava transtornado. "A gente sente, mas também entendo. Pode ter sido saudade do velho companheiro. Queria estar junto dela, mas não deu", lamentou.

É com tristeza que Negreiros fala da morte da companheira, mas ao mesmo tempo guarda lembranças importantes do tempo em que estiveram juntos. Ele contou, com a voz embargada, como foi o primeiro encontro dos dois. "Quando ela chegou de Santa Maria, quando olhei ela desembarcando do caminhão, parece que foi aquela amizade já de vários anos, quem trabalha com animais entende, é um amor inexplicável que a gente sente por eles, um sentimento muito forte, uma amizade verdadeira", definiu.

Ao longo dos 30 anos de atuação de Negreiros no 4º RPMon, os últimos anos, com Justiceira, foram os mais marcantes. "Ela veio de Santa Maria, eu estava sem cavalo e quando nos vimos, sabia que seríamos companheiros", descreveu, lembrando que, desde 2015, eles estavam lado a lado tanto no policiamento, quanto nos grandes eventos como partidas de futebol. "Foram muitos momentos bons e marcantes. Ela era muito dócil e tranquila", afirmou. Com relação à morte, Negreiros disse acreditar que ela pode realmente ter sentido falta de sua companhia, assim como ele sentiu.

A égua tombou em serviço na noite de quarta-feira, pouco antes do início da partida entre Internacional e Tolima, em frente ao Estádio Beira-Rio, na zona Sul de Porto Alegre. A égua Justiceira estava a postos para o trabalho daquela noite no policiamento quando, segundo a Brigada Militar (BM), ficou desorientada e cambaleou na tentativa de permanecer em pé. De repente, ela se jogou para trás e, mesmo que o soldado tenha tentando acalmá-la, ela caiu e bateu forte com a cabeça. Os policiais militares tentaram reanimar o animal, mas ele não resistiu.

Ela tinha 19 anos e atuava na Brigada Militar desde os cinco. Conforme o subcomandante do 4º RPMon, major Luiz Felipe Medeiros dos Santos, a égua Justiceira estava a postos para o trabalho quando desabou. “Estamos investigando as causas da morte”, afirmou. Segundo ele, a suspeita é de que tenha sido um problema cardíaco. “Aguardamos a confirmação do veterinário, mas já era um animal de idade avançada”, disse.