Secretária Arita Bergman relata dificuldades de hospitais de manter leitos para Covid-19 no RS

Secretária Arita Bergman relata dificuldades de hospitais de manter leitos para Covid-19 no RS

Tema foi discutido em audiência pública da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira

Cláudio Isaías

Arita Bergmann discutiu o fechamento de leitos hospitalares para Covid-19 no Estado

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"No começo da pandemia da Covid-19, o limite principal da saúde era a questão dos equipamentos. Agora, o limite é de recursos humanos (funcionários) que alguns hospitais estão tendo dificuldade de manter em leitos específicos para Covid-19". A avaliação foi feita pela secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, que nesta quarta-feira participou da audiência pública da Assembleia Legislativa que discutiu o fechamento de leitos hospitalares para Covid-19 no Rio Grande do Sul. 

O tema foi proposto pelo deputado Valdeci Oliveira (PT), da Comissão de Saúde e Meio Ambiente. Segundo Arita, abrir novos leitos foi um desafio desde o início da pandemia e continua a ser porque existem limites. "O Estado abriu 974 novos leitos o que representou 102% de aumento da capacidade instalada. Mas de fato aconteceram desativações de leitos por diversos motivos", acrescentou. 

Segundo Arita Bergmann, um dos motivos é que o Ministério da Saúde não habilita a instituição de saúde e não realiza o pagamento da diária de leitos que tenham taxa de ocupação abaixo de 50%. A secretária informou ainda que o Estado possui hoje 906 pacientes com Covid-19 em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e 168 pacientes suspeitos. Ela pediu que a população promova uma mudança de comportamento evitando as aglomerações e utilizando a máscara sempre.  

Alto índice de ocupação 

De acordo com Oliveira, a sociedade gaúcha está vendo nos últimos dias um alto índice de ocupação de leitos hospitalares no Rio Grande do Sul em função da Covid-19. "Antes da pandemia, o Estado contava com 998 leitos de UTI pertencentes ao Sistema Único de Saúde (SUS) e 645 leitos de UTI derivados da saúde suplementar para uma população de mais de 11 milhões de habitantes", explicou. 

O deputado afirmou que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) feita antes da pandemia é que os países tivessem de um a três leitos de UTI intensiva para cada 10 mil habitantes. "Estudos indicam que para este momento de pandemia deveriam ser de três a dez vezes maior", ressaltou. Conforme o deputado estadual, fechar leitos como vinha fazendo o Ministério da Saúde, conforme alertou a Rede Brasileira de Cooperação em Emergências (RBCE), é inadmissível, temerário e irresponsável.

Segundo levantamento da RBCE, 60% das habilitações feitas e custeadas pelo Ministério da Saúde neste quesito desde o início da pandemia já foram extintas. "O que a realidade nos mostra, mesmo que muitas autoridades e gestores públicos se neguem a admitir, é que precisamos continuar a disponibilizar esses leitos. Com o equivocado relaxamento das medidas e a não observância das regras básicas, como evitar aglomerações e respeitar o distanciamento social, agora não são somente os mais  idosos, mas também os jovens que estão ficando seriamente doentes”, acrescentou. 

O parlamentar destaca ainda que, na falta de um imunizante, que se depender exclusivamente do governo federal os brasileiros e brasileiras não terão tão cedo, a continuidade do uso de máscaras, higienização e redução da circulação de pessoas ainda se configuram como os únicas medidas realmente eficazes para se evitar o contágio e não levar o sistema público de saúde ao colapso total.

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