Conforme Busatto, a agressão partiu dos manifestantes que tentaram invadir a sede da prefeitura. “A Guarda Municipal estava parada ao meu lado, conversando sobre como nós iríamos resolver isso no diálogo. Eles vieram de uma forma absolutamente fora do controle para a agressão”, relatou. “Eles não têm nenhuma moral para se colocar como vítimas deste processo.”
Durante o momento mais tenso do protesto, que se iniciou por volta das 18h, pelo menos três bombas de efeito moral foram jogadas para dispersar os manifestantes. Antes das 19h, parte do grupo tentou forçar a entrada no prédio da prefeitura, quando ocorreu o confronto que envolveu também a Guarda Municipal.
No protesto, pelo menos duas pessoas se feriram – uma manifestante e um guarda municipal, que foi levado ao Hospital de Pronto Socorro. Uma estudante de enfermagem da UFRGS foi detida e encaminhada ao Palácio da Polícia, para onde o grupo se dirigiu após deixar o Paço Municipal, passando pelas avenidas Borges de Medeiros e João Pessoa. O grupo faz manifestação para que a universitária seja solta.
O protesto causou uma série de prejuízos ao patrimônio público. Diversas vidraças do prédio da prefeitura foram quebrados, além de danos na porta da edificação e uma pichação ao lado da entrada com crítica ao preço de R$ 3,05. Pelo menos uma viatura da Guarda Municipal teve o parabrisa totalmente destruído.
Protestos (e apoio) nos ônibus
Em vigor desde segunda-feira passada, o novo valor da passagem de ônibus de Porto Alegre – que passou de R$ 2,85 para R$ 3,05 – causou revolta em boa parte da população. De segunda para cá foram ao menos quatro protestos: dois na segunda (em frente à PUCRS e à UFRGS) e outros dois nesta quarta, sendo o primeiro pela manhã. Na sexta-feira da semana passada, houve outro.
Reajuste polêmico
O reajuste da passagem em Porto Alegre gerou polêmica neste ano. Isso porque análise feita pelo Ministério Público de Contas questionou a base de cálculo usada para calcular a tarifa. Assim, segundo decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a análise não poderia levar em consideração a frota de reserva só a operante. O sistema foi adotado pela Prefeitura na análise do Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu), que chegou ao reajuste final. Mesmo assim, o MPC requereu ao TCE uma auditoria complementar sobre o valor da passagem analisando outros fatores, como a limitação da frota reserva e a qualidade dos serviços.
Para Busatto, o valor é resultado de dois meses de discussão e de atenção às determinações do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que interferiu no processo depois do pedido dos empresários, que queriam o valor de R$ 3,30. “Se querem questionar este valor, que o façam junto ao Tribunal de Contas”, disse o secretário.
Assista ao vídeo com a manifestação na Borges de Medeiros:
*Com informações de: Gisiane Santos, Renato Araújo e Tiago Medina / Correio do Povo e Lucas Rivas e Wagner Machado / Rádio Guaíba