Os manifestantes que deixaram o prédio da Casa do Estudante Universitário Aparício Cora de Almeida (Ceuaca), neste domingo, serão recebidos pela Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos na manhã desta segunda-feira. A reunião está marcada para as 10h e o objetivo do grupo é exigir a reforma e reabertura do local para o uso de universitários.
A Ceuaca começou a funcionar ainda na década de 30. De acordo com o advogado que representa o grupo, Onir Araújo, está fechada desde 2013. O advogado relata que os cerca de 50 manifestantes enfrentam dificuldades para obter moradia e querem que ele volte a ser usado para o fim a que se destina.
Os estudantes começaram a deixar o local por volta das 14h30min deste domingo. O horário era o prazo dado pela Brigada Militar para que ocorresse o esvaziamento. Diversas viaturas foram mobilizadas. Os vereadores Marcelo Sgarbossa (PT) e Fernanda Melchionna (PSol) foram ao local no começo da tarde para intermediar um acordo. Em seguida, o grupo começou a deixar o prédio, mantendo os cantos de protesto.
Também presente, o deputado estadual Pedro Ruas (PSol) defendeu os manifestantes e cobrou melhor aproveitamento com relação a prédios abandonados no Centro. “O estado está gastando sem ter um programa para moradia e desalojando pessoas que estavam dando função social a essas propriedades”, afirmou. “Vemos aqui um prédio gigantesco que está abandonado desde 2013.”
Uma estudante afirmou temer uma eventual ação violenta da Brigada Militar: “Eles iam massacrar a gente. A gente teve a escolha de sair com dignidade para poder dialogar com as pessoas”, afirmou. “A gente queria resistir, mas vimos que seríamos mesmo massacrados.”
Houve o lançamento de um gás de pimenta após os estudantes terem deixado o prédio. O tiro, contudo, foi disparado de forma acidental, de acordo com um policial militar. Um estudante passou mal, segundo apurou a Rádio Guaíba.
Eles salientaram que também apoiam o movimento Lanceiros Negros, que ocupa atualmente o prédio do Ministério Público do RS, no cruzamento de Andrade Neves e General Câmara. O prazo para a saída dessas famílias é o dia 15 de dezembro.
Secretaria de Direitos Humanos receberá estudantes da Ceuaca nesta segunda-feira
Grupo protesta por reativação do local como moradia universitária em Porto Alegre