Com os casos registrados de dengue em março e abril, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou que a região Noroeste do Rio Grande do Sul enfrenta um surto da doença. Dos 237 casos registrados entre 4 de janeiro e 11 de abril, 100 deles ocorrerão nas cidades de Caibaté, Cerro Largo, Mato Queimado, Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga e São Miguel das Missões. Destes, 96 são autóctones (contraídos na cidade) e quatro importados, o que gera um alerta da médica epidemiologista do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), Marilina Bercini.
“Desde 2007, o Estado deixou de ser área isenta de dengue. Desde então, os números variam, com mais municípios e casos autóctones. Em 2015 já tivemos 171 casos contra 38 do ano passado. Não é uma epidemia, que tem uma abrangência maior de casos registrados em um número grande de municípios. Não podemos, por exemplo, comparar com São Paulo”, afirmou Bercini. “É importante que a população tenha um pouco de medo para não baixar a guarda em relação à prevenção”, completou.
Em 2015, 1.325 casos foram notificados, 237 confirmados e, destes, 72% adoeceram sem realizar nenhuma viagem. Em Porto Alegre, 30 casos foram informados, com 27 importados e três autóctones.
Aplicação de inseticida em Porto Alegre
A prefeitura da Capital prevê para está quinta e sexta-feira a aplicação de inseticida em vários bairros da cidade. A partir das 14h30min, equipes da Vigilância em Saúde aplicarão o veneno nos bairros Praia de Belas e Hípica. No primeiro bairro ocorrerá nas ruas Celeste Gobbato e Doutor Vicente de Paula Dutra, além de trechos das ruas engenheiro Guilherme Gaudenzi e Márcio L. Veras Vidor e das Avenidas Edvaldo Pereira Paiva e Aureliano de Figueiredo Pinto.
Na Hípica, a operação ocorrerá na avenida Juca Batista, próximo ao Beco 6 (outro ponto de referência é a ponte do Arroio do Salso, após o trevo de acesso à Estrada Gedeon Leite), em um raio de 50 metros. Na sexta-feira, a aplicação será no bairro Bom Fim, também por causa da confirmação de um caso importado da doença, contraído na cidade de São Paulo.
• Confira dicas de prevenção:
- O uso de espirais ou vaporizadores elétricos: devem ser colocados ao amanhecer e/ou no final da tarde, antes do pôr-do-sol, horários em que os mosquitos da dengue mais picam.
- Mosquiteiros: Devem ser usados principalmente nas casas com crianças, cobrindo as camas e outras áreas de repouso, tanto durante o dia quanto à noite.
- Repelentes: Podem ser aplicados no corpo, mas devem ser adotadas precauções quando utilizados em crianças pequenas e idosos, em virtude da maior sensibilidade da pele.
- Telas: Usadas em portas e janelas, são eficazes contra a entrada de mosquitos nas casas.
- Ar condicionado: O uso do ar condicionado inibe o mosquito, pois baixa a temperatura e a umidade do ar, mas não o mata. Ele tem mais dificuldade para detectar onde estará a possível vítima de sua picada. Estes aparelhos apenas espantam o mosquito que poderá voltar em outro momento quando eles estiverem desligados.
• Como posso me proteger do mosquito?
Para proteção individual, recomenda-se a utilização de repelente. Em locais de transmissão, utilizar roupas que protejam as áreas do corpo mais expostas.
• Devo usar inseticida para matar os mosquitos da dengue?
O uso indiscriminado de inseticidas favorece a seleção de mosquitos resistentes e expõe as pessoas com maior sensibilidade à toxicidade do produto. Além disso, não há garantia da eliminação desses insetos principalmente se houver criadouros no entorno dos imóveis. Para evitar os mosquitos da dengue, podem ser utilizados repelentes elétricos, mosquiteiros e tela milimétrica em portas e janelas.
• Como evitar a proliferação de mosquitos da dengue?
Para evitar o mosquito da dengue, elimine todos os locais com água parada ou que possam acumular água. Pneus, reservatórios, bebedouros, garrafas e outros utensílios devem ser guardados em locais abrigados da chuva. Materiais para descarte devem ser acondicionados para serem recolhidos pela coleta seletiva. Tonéis e caixas d'água dem ser devidamente tampados. No caso de calhas e ralos, deve-se mantê-los limpos e desobstruídos para que não acumulem água. Os cuidados devem ser semanais, devido ao ciclo de vida do mosquito. É fácil evitar o mosquito da dengue, siga nosso checklist.
• Como eliminar os focos?
Algumas simples ações fazem a diferença na luta contra o mosquito. Por isso, tente colocá-las na sua rotina. Não custa nada e ainda vai ajudar a salvar vidas.
1 – Mantenha pratos de vasos de plantas sem água acumulada e limpos.
2 - Mantenha os ralos limpos jogando água sanitária ou desinfetante semanalmente. Verifique a existência de entupimento. Se não for utilizá-los, mantenha-os vedados.
3 - Jogue no lixo todo objeto que possa acumular água, como embalagens usadas, potes, latas, copos, garrafas vazias etc.
4 - Mantenha o saco de lixo bem fechado e fora do alcance de animais até o recolhimento pelo serviço de limpeza urbana. Não jogue lixo em terrenos baldios.
5 - Lave, principalmente por dentro, com escova e sabão os utensílios usados para guardar água em casa, como jarras, garrafas, potes, baldes etc.
6 - Troque diariamente a água dos bebedouros de animais e aves e limpe-os com escova ou bucha.
7 - Depressões de terreno também são possíveis poças de água parada. Preencha-os com areia ou pó de pedra.
8 - Mantenha caixas d’água, cisternas, tonéis e outros depósitos de água sempre bem fechados, com a tampa adequada, para impedir a entrada do mosquito.
9 - Entregue seus pneus velhos ao serviço de limpeza urbana ou guarde-os sem água em local coberto e abrigados da chuva.
10 - Guarde as garrafas vazias sempre de cabeça para baixo e de preferência em local coberto.
11 - Limpe constantemente as calhas, remova tudo que possa impedir a passagem da água, a laje e a piscina de sua casa.
12 - Instale a caixa do ar-condicionado de forma que esta não possa acumular água.
13 - No alto de lajes e telhas também pode haver água parada. Caso more em apartamento, peça ao porteiro que verifique o acúmulo de água no terraço.
14 - Suspeite de garagens e subsolos. Confira se a água da chuva que cai nas calhas circula.
15 - Evite ter bromélias em casa. Mantendo-as, é indispensável tratá-las com água sanitária na proporção de uma colher de sopa para um litro de água, regando, no mínimo, duas vezes por semana. Tire sempre a água acumulada nas folhas.
Secretaria Estadual da Saúde aponta surto de dengue no Noroeste gaúcho
Rio Grande do Sul registrou 237 casos em 2015