Em greve por tempo indeterminado desde a quarta-feira, funcionários do Hospital Parque Belém, na zona Sul de Porto Alegre, ameaçam encerrar os atendimentos e fechar as portas da instituição. Enfermeiros, nutricionistas, técnicos de enfermagem, serviços gerais e médicos estão sem receber os seus salários desde junho. O atendimento foi mantido em 30%, conforme prevê a legislação.
A Emergência, o bloco cirúrgico, a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e as internações clínicas não estão recebendo pacientes. Permanecem internados no local apenas 33 pessoas no Centro de Dependência Química (CDQUIM) e sete nos leitos da Psiquiatria pelo Instituto de Previdência do Estado (Ipe). O hospital filantrópico, que atende 80% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 20% pelos convênios, conta com 242 leitos.
A receita mensal que a instituição deveria receber é de R$ 1,4 milhão, mas estava recebendo R$ 700 mil, o que provocou a crise na folha de pagamento dos funcionários, de acordo com a superintendente-geral do hospital Claudia Abreu. “Em abril já começamos a atrasar os salários e em junho começamos a parcelar. Os funcionários esperam o pagamento ainda daquele mês, mas apenas três parcelas foram distribuídas entre eles”.
O hospital ainda tem uma dívida de R$ 300 mil. Segundo Claudia, a prefeitura pagou o valor para a abertura da Emergência. No entanto, o serviço não foi aberto por falta de equipamentos e o dinheiro foi utilizado para outros serviços. Porém, o reembolso do investimento feito pelo município é descontado a cada mês da instituição.
A crise que se instalou no hospital também tem afastado a entrada de novos pacientes pelos convênios, assim como a permanência dos funcionários no local. “Temos 213 funcionários e 27 já pediram para sair. Além disso, estamos com dificuldades de encontrar novos pacientes e perdemos a credibilidade com os fornecedores”, afirmou.
A greve foi convocado pelo Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Casas de Saúde do Rio Grande do Sul (Sindisaúde-RS). “Vamos permanecer paralisados até que o município dê um retorno sobre como vai ficar a folha de pagamento dos funcionários e não descartamos encerrar os 30% do atendimento que estamos mantendo até agora, porque até a comida que oferecemos aos pacientes é precária”, salientou o presidente do sindicato Arlindo Ritter.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou, em nota, que tem cumprido todos os compromissos firmados com a instituição nos últimos dois anos e que está “aberta à discussão, desde que o hospital organize sua gestão e cumpra os acordos sem prejuízos ao atendimento do SUS”.
Sem pagamento, funcionários ameaçam fechar portas do Hospital Parque Belém
Casa de saúde na zona Sul de Porto Alegre entrou em crise com falta de repasses do governo