O temporal que atingiu o Rio de Janeiro causou impacto também no turismo. Só com o fechamento do Cristo Redentor, cujos acessos estão interditados sem previsão de abertura, o prejuízo mensal para o governo federal será de R$ 3 milhões. "Isso sem contar o impacto no faturamento de quem vive do turismo. Fizemos um sobrevoo hoje, mas os técnicos ainda pediram cinco dias para entregarem laudo com a previsão para reabertura do Cristo", afirmou Bernardo Issa, chefe do Parque Nacional da Tijuca (PNT).
Em todo o parque, há 283 pontos de deslizamentos, 50 deles considerados grandes. A Estrada de Ferro do Corcovado e a Estrada das Paineiras, principais acessos ao Cristo, estão obstruídas pela terra. E o caminho alternativo, a Estrada do Redentor, cedeu. A Geo-Rio começou hoje a fazer a limpeza e as obras de contenção, mas a previsão é de que o trabalho leve seis meses para ser concluído. "Não temos prazo para reabrir o Cristo", afirmou Issa.
Serão necessários R$ 5 milhões para recuperar o parque, R$ 1,5 milhão somente para os acessos ao Corcovado.
O secretário municipal de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello, ressaltou que o Rio não conta com apenas esse atrativo e não acredita que isso afetará a vinda de turistas para a cidade. "Por acaso, isso aconteceu num momento em que o Cristo está em obras, já cercado por andaimes. Temos sorte de o Rio ter sido abençoado com outros cartões postais, como Pão de Açúcar, Jardim Botânico e Forte de Copacabana, por exemplo, que continuam funcionando normalmente".
Museus
Mas há outras atrações afetadas pela tempestade. O Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, zona norte, e o Museu Casa do Pontal, na zona oeste, estão entre elas. No Açude, a estrada de acesso ruiu, atingindo obra de Iole de Freitas e a piscina com louça portuguesa. "Só para recuperar o acervo serão necessários R$ 150 mil", explicou a diretora Vera de Alencar. A instituição, que guarda a coleção de arte oriental reunida por Castro Maya, deve ficar fechada por três meses.A Casa do Pontal, que tem importante coleção de arte popular, só deve reabrir em maio, depois de minuciosa limpeza e dedetização.Programas ao ar livre também estão suspensos.
A Lagoa Aventuras, empresa que há dois meses instalou rapel e circuito de arvorismo no Parque da Catacumba, na Lagoa Rodrigo de Freitas, está parada há uma semana. "O prejuízo financeiro é de cerca de R$ 10 mil. O pior é a perda institucional", comentou um dos sócios, Gabriel Werneck.
Sem visita ao Cristo, Rio perde R$ 3 milhões por mês
Ainda não há previsão para a reabertura de uma das maiores atrações turísticas da cidade