Conforme o titular da Delegacia do Idoso, Antônio Paulo Torres Machado, a grande maioria dessas ocorrências são acometidas pelos próprios familiares, que chegam a deixar os idosos em condições sub-humanas. “Tivemos um caso de abandono no Menino Deus, um lugar nobre, que a idosa era tratada como um animal. A filha literalmente abria a porta e atirava a comida em um marmitez”, acrescenta o secretário-adjunto do idoso, André Canal.
Casos como esse não são dificeis de ocorrer. Conforme o delegado do idoso, registros de abandono encabeçam a lista de violência contra os idosos, seguidos por casos de maus-tratos e lesão corporal. Por último vem a violência patrimonial, quando o idoso é roubado ou tem parte de sua renda retida. “O idoso tem a cultura da bondade, não desconfia de ninguém e acaba sendo lesado", observa Machado.
O policial, que tem 68 anos, observa que uma quadrilha suspeita de aplicar o golpe do cartão premiado está sendo investigada devido ao volume de dinheiro movimentado a partir de contas de idosos. “Em dois a três dias, o grupo movimentou de R$ 40 mil a R$ 60 mil.” O delegado pede a colaboração das gerências do bancos em saques acima de R$5 mil e questionem sobre onde o valor será utilizado. “Hoje a violência contra o idoso não escolhe classe social". O titular da Delegacia do Idoso revela que até o começo deste mês já foram registrados 600 casos de violência contra a terceira idade, se aproximando com os registros de 2012.
O secretário-adjunto do idoso de Porto Alegre, André Canal, observa que, em muitos casos, a vítima faz o registro apenas para “dar um susto no familiar e, em seguida, retira a queixa”, o que deixa mais difícil se ter uma dimensão do problema. Durante o evento, também ocorreu o lançamento oficial da Cartilha de Segurança, publicação voltada ao público idoso que traz dicas de segurança e informações úteis, como locais de atendimento especializado e assistência jurídica.
A presidente do Conselho Municipal do Idoso, Dilci Rodrigues, explica que o aumento da longevidade da população, fez com que se crescesse as necessidades da população idosa, que acabaram não sendo atendidas pelas famílias. “Muitas não têm como ficar de dia com eles, ou durante a semana ou nos finais de semana", explica.