Dezenas de amigos, colegas e familiares do 1º sargento bombeiro Genildo de Souza, 48 anos, participaram da despedida dele, ocorrida no cemitério São Jerônimo, em Alvorada, na região Metropolitana. Eles saíram da rua Araranguá, onde o bombeiro foi velado, até o São Jerônimo em carreata. No momento em que o esquife era colocado no túmulo, as sirenes dos caminhões do Corpo de Bombeiros, que participaram o cortejo, foram acionadas.
Souza foi morto com um tiro no rosto na noite de sábado, quando entrava nas dependências do quartel do Corpo de Bombeiros de Gravataí, onde era lotado. O assassino, que segundo testemunhas teria aparentes 25 anos, ainda disparou contra um soldado, que estava na sala de operações da instituição, mas errou o tiro. O criminoso fugiu logo em seguida, sem levar nada. O 1º sargento deixa mulher e três filhos, uma garota de 20 anos e dois meninos, de 14 e 5 anos.
Ataque
De acordo com o comandante dos bombeiros de Gravataí, capitão Ben Hur Pereira da Silva, Souza estava à paisana, entrando para o seu turno. Eram aproximadamente 20h quando a vítima, em um Siena de sua propriedade, buzinou para entrar nas dependências dos quartel. A equipe de que estava de plantão tinha saído para atender uma ocorrência e apenas o soldado da sala de operações estava no local.
Quando o portão foi aberto, o suspeito entrou junto com a vítima. Souza desceu de seu automóvel e foi pegar algo no banco traseiro, possivelmente o uniforme. Neste instante, algo chamou a sua atenção e quando virou-se, se deparou com o assassino quase na sua frente. Sem falar nada, de acordo com o oficial, o criminoso desferiu o tiro de revólver calibre 38, acertando o rosto de Souza, que tombou. O soldado veio socorrer o colega de farda e o suspeito também atirou em sua direção, mas errou. “O soldado não pode ver muito bem o rosto do criminoso, pois tratou de socorrer o sargento”, contou o capitão. “Ele (soldado) disse que era um homem jovem e que tinha algo cobrindo a cabeça, como um boné ou uma touca”.
O 1º sargento tinha cerca de 20 anos como bombeiro e estava lotado no quartel de Gravataí há cerca de oito anos. Faltavam oito meses para que ele passasse para reserva, mas isso não impediu que ele tentasse subir de posto, fazendo o curso. Se passasse, ficaria mais algum tempo na corporação.
Segundo o capitão, Souza era uma pessoa de bem com a vida, com comportamento exemplar e nos últimos tempos não tinha comentado nada que pudesse levar a pesar que sua vida corria risco. Ele tampouco nunca teria contado estar sendo ameaçado. “Foi uma grande surpresa para todos nós”, disse o oficial, durante o enterro do militar. “Mas, mesmo sem ter notícias de ameaças, todas as linhas de investigação são válidas nesse momento, nada podendo ser descartado.” Além do processo policial, a Brigada Militar instaurou uma Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias da morte do 1º sargento.
Um dos vizinhos de Souza, José Carlos da Conceição, 47 anos, contou que conhecia o bombeiro há cerca de 20 anos. Conceição, visivelmente emocionado, lembrou que Souza salvou a vida de sua mulher por duas vezes. A última foi em dezembro, quando ela teve uma forte hemorragia devido a uma doença grave. “Eu trabalho à noite, e quando cheguei de manhã cedo, minha mulher estava mal e Souza a levou ao hospital”, contou. “Em outra ocasião, ele também levou a mim e minha mulher ao hospital da PUC”, afirmou, contando que os moradores do bairro Três Figueiras, onde Souza residia, tinha muito apreço pelo bombeiro, inclusive o incentivaram a se candidatar a vereador nas últimas eleições.
Sepultado bombeiro morto em Gravataí
Amigos, familiares e colegas de profissão marcaram a despedida com homenagem ao sargento