Servidores da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul fizeram uma panfletagem junto aos visitantes do Jardim Botânico, na zona Leste de Porto Alegre, durante o sábado. A ideia era mostrar para a população os impactos da extinção da Fundação, proposta pelo governo do Estado e que foi apresentada para a Assembleia Legislativa na última sexta-feira. Cerca de 200 servidores trabalham no órgão, que abrange o Jardim Botânico, Museu de Ciências Naturais e o Parque Zoológico, este último localizado em Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre.
Conforme o biólogo e pesquisador Glayson Bencke, a notícia foi recebida com perplexidade pelos servidores. “O teor do projeto mostra que quem elaborou o documento não sabe o papel ambiental, social e educativo da Fundação. Há 40 anos somos referência em pesquisa sobre a diversidade da fauna e flora do Estado.” O servidor observa que entre os estudos estão projetos estratégicos para o Rio Grande do Sul. “Se extinta, quem vai assumir esses papeis deixados pela Fundação?”
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Entre eles está o RS Biodiversidade, iniciado em 2010, com a intenção de propor usos da biodiversidade gaúcha aliado com a conversação do meio ambiente. A iniciativa conta com o financiamento do Banco Mundial. Ao longo do desenvolvimento do projeto se propôs o uso sustentável do butiá, práticas de manejo dos campos de pecuária, cultivo das plantas ornamentais do Pampa e ainda o manejo das abelhas nativas, entre outras coisas.
Bencke explica que a Fundação é também responsável pela conservação de espécies ameaçadas de extinção: 261 de fauna (vida animal) e mais de 800 de flora (espécies vegetais - plantas, árvores, entre outras). O biológa destaca ainda o Viveiro de Mudas e o Banco de Sementes.
Já no Parque Zoológico, em Sapucaia do Sul, há mais de mil animais oriundos, em grande parte, de apreensões e retenções policiais. E o Museu de Ciências Naturais reúne 500 mil exemplares entre plantas, animais e fósseis.
O biólogo Marco Azevedo observa que nos últimos anos ocorreu um movimento de valorização dos servidores da Fundação, inclusive com reforma do plano de carreira em 2013. Já no ano passado, ocorreu um concurso público para o suprimento de cerca de 40 vagas. “Agora essa medida vem no sentido contrário.” No quadro de servidores, cita Azevedo, estão 40 doutores que, junto com outros servidores, trabalham em laboratórios e grupos de pesquisa que possuem reconhecimento nacional e internacional.
Outra preocupação dos servidores é em relação ao licenciamento ambiental, no qual a Fundação auxilia com a realização de qualificações e pesquisa de fauna e flora. A dúvida, caso o órgão seja extinto, é de quem daria continuidade ao trabalho.
Os servidores prometem novas mobilizações durante a semana tanto em Porto Alegre quanto em Sapucaia do Sul, garante o biólogo Glayson Bencke.
Servidores da Fundação Zoobotânica fazem panfletagem contrários a extinção do órgão
Proposta do governo do Estado foi apresentado à Assembleia na sexta-feira