Um grupo de 32 servidores da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) está aprendendo o idioma crioulo haitiano, língua falada pela maioria absoluta da população do Haiti. Com a chegada de muitos imigrantes do país caribenho, a prefeitura de Porto Alegre entendeu ser importante preparar as equipes de saúde para o atendimento aos novos usuários do sistema.
Por isso, a SMS criou o Projeto M´akeyiw lakay mwen, que em crioulo significa “Te acolho na minha casa”. Como o idioma é estranho aos brasileiros, a secretaria convidou dois haitianos que moram no Estado há mais tempo para ministrar as aulas. Alix Georges, professor de línguas que vive no RS há 10 anos, e Nadege Jacques, enfermeira e mestre em saúde coletiva pela UFRGS, são os responsáveis por ensinar os funcionários públicos.
“Temos centenas de haitianos sendo atendidos nas unidades básicas e nos hospitais do SUS aqui na Capital. O idioma é a principal barreira. Temos que nos comunicar bem com eles para compreender o problema de cada um e dar o melhor atendimento”, diz Fabiane Ninov, assessora comunitária da SMS e uma das coordenadoras do projeto.
O curso iniciou há três semanas e tem o término programado para o fim de dezembro. Para facilitar o aprendizado, haitianos, moradores da cidade, tem participado das aulas para ampliar a comunicação com os brasileiros. “Os haitianos ficaram emocionados ao ver enfermeiros, técnicos em enfermagem e médicos tentando falar o crioulo com eles. Esta prática deu um grande impulso às aulas”, relata Fabiane, salientando que até a música haitiana tem sido usada como método de aprendizado.
Duas turmas estão em andamento. Uma no Centro Humanístico Vida (av. Baltazar De Oliveira Garcia 2132, às terças e quintas) e outra no auditório do Pronto Atendimento Lomba do Pinheiro (Av. João de Oliveira Remião 5110, às segundas e quartas). As aulas acontecem das 16 às 18h.
“Este é um projeto inédito no Brasil, que fará toda diferença na qualidade do acolhimento para estas pessoas que continuam chegando, e precisam de ajuda para se integrar com dignidade na nossa comunidade”, salienta Elaine Soares, coordenadora da Área Técnica de Saúde da População Negra da SMS.
Servidores da Saúde de Porto Alegre são preparados para atender haitianos
Grupo aprendeu a língua falada pela maioria da população do Haiti