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Sinônimo de proteção da fauna e flora, Reserva do Taim é ampliada no Sul no RS

Decreto que prevê expansão da área para 32,7 mil hectares foi assinado no dia Mundial do Meio Ambiente

Na unidade, há mais de 40 espécies de mamíferos
Na unidade, há mais de 40 espécies de mamíferos Foto : Henrique Ilha / Divulgação / CP
A Estação Ecológica do Taim, entre os municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, no Sul do Estado teve sua área ampliada na última segunda-feira. O decreto foi assinado pelo presidente Michel Temer no Dia Mundial do Meio Ambiente. Conforme o chefe substituto da Estação, Caio Eichenberger, o local foi escolhido devido a sua importância para a conservação da fauna e flora nacionais e pelo fato de que um decreto de 1986 delimitava sua área em apenas 10,7 mil hectares.

“A área que foi ampliada abrange principalmente os banhados e campos inundáveis ao norte da unidade, na margem esquerda da BR 471, logo após a sede da unidade de conservação”, explica Eichenberger, destacando que o local tem vocação para realização de pesquisas científicas e proteção da biodiversidade. O local forma um grande viveiro de animais e vegetais distribuídos em banhados, campos, lagoas, praias arenosas e dunas litorâneas.

Pelo decreto, a Estação ganhou 22 mil hectares, passando dos atuais 10,7 mil hectares para 32,7 mil hectares. “Isto implica a definição de um território ao qual, devido as suas características ambientais relevantes, deve ser protegido para esta e as gerações futuras.” Segundo ele, a próxima etapa é a regularização das terras da unidade com a efetiva aquisição das terras particulares que devem ser indenizadas.

O Taim abriga muitas espécies ameaçadas de extinção. Animais como a lontra e o gavião-cinza, que estão nessa lista, são vistos em áreas mais remotas da unidade. Já outros são mais fáceis de serem avistados. “Encontramos com relativa facilidade o jacaré-do-papo-amarelo e a tartaruga-tigre-d’água. A capivara é extremamente abundante e o graxaim-do-campo é mais visível ao entardecer.”

A característica de banhados propicia abrigo e habitat para espécies importantes da fauna do país, tanto residentes como migratórias, que viajam do Hemisfério Norte ou Patagônia, Chile e Argentina. No Taim elas fazem o ninho e procriam antes de partir para outros locais. Na unidade há mais 230 espécies de aves, entre marrecões, cisnes-brancos e cisnes-do-pescoço-preto, tarrãs, maçaricos e passeriformes.

Também é reduto de 21 espécies de répteis, sendo seis ameaçadas de extinção; 18 de anfíbios; 63 de peixes; e mais de 40 de mamíferos. Entre esses, espécies em risco, como o tuco-tuco das dunas, o veado-catingueiro, o gato-do-mato-grande e a lontra.  A reserva está inserida no bioma marinho costeiro por abranger 18 km de dunas e restingas costeiras e tem grande parte de seus ambientes no bioma pampa com campos, matas de restinga e sistemas palustres como banhados, lagoas interiores. Neste ano, a estação se tornou um sítio Ramsar.

A Convenção de Ramsar é um tratado intergovernamental criado inicialmente para proteger os habitats aquáticos importantes do mundo. A designação garante ao país a obtenção de apoio internacional para financiar projetos e criar um cenário favorável à cooperação internacional.