A Estação Ecológica do Taim, entre os municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, no Sul do Estado teve sua área ampliada na última segunda-feira. O decreto foi assinado pelo presidente Michel Temer no Dia Mundial do Meio Ambiente. Conforme o chefe substituto da Estação, Caio Eichenberger, o local foi escolhido devido a sua importância para a conservação da fauna e flora nacionais e pelo fato de que um decreto de 1986 delimitava sua área em apenas 10,7 mil hectares.
“A área que foi ampliada abrange principalmente os banhados e campos inundáveis ao norte da unidade, na margem esquerda da BR 471, logo após a sede da unidade de conservação”, explica Eichenberger, destacando que o local tem vocação para realização de pesquisas científicas e proteção da biodiversidade. O local forma um grande viveiro de animais e vegetais distribuídos em banhados, campos, lagoas, praias arenosas e dunas litorâneas.
Pelo decreto, a Estação ganhou 22 mil hectares, passando dos atuais 10,7 mil hectares para 32,7 mil hectares. “Isto implica a definição de um território ao qual, devido as suas características ambientais relevantes, deve ser protegido para esta e as gerações futuras.” Segundo ele, a próxima etapa é a regularização das terras da unidade com a efetiva aquisição das terras particulares que devem ser indenizadas.
O Taim abriga muitas espécies ameaçadas de extinção. Animais como a lontra e o gavião-cinza, que estão nessa lista, são vistos em áreas mais remotas da unidade. Já outros são mais fáceis de serem avistados. “Encontramos com relativa facilidade o jacaré-do-papo-amarelo e a tartaruga-tigre-d’água. A capivara é extremamente abundante e o graxaim-do-campo é mais visível ao entardecer.”
A característica de banhados propicia abrigo e habitat para espécies importantes da fauna do país, tanto residentes como migratórias, que viajam do Hemisfério Norte ou Patagônia, Chile e Argentina. No Taim elas fazem o ninho e procriam antes de partir para outros locais. Na unidade há mais 230 espécies de aves, entre marrecões, cisnes-brancos e cisnes-do-pescoço-preto, tarrãs, maçaricos e passeriformes.
Também é reduto de 21 espécies de répteis, sendo seis ameaçadas de extinção; 18 de anfíbios; 63 de peixes; e mais de 40 de mamíferos. Entre esses, espécies em risco, como o tuco-tuco das dunas, o veado-catingueiro, o gato-do-mato-grande e a lontra. A reserva está inserida no bioma marinho costeiro por abranger 18 km de dunas e restingas costeiras e tem grande parte de seus ambientes no bioma pampa com campos, matas de restinga e sistemas palustres como banhados, lagoas interiores. Neste ano, a estação se tornou um sítio Ramsar.
A Convenção de Ramsar é um tratado intergovernamental criado inicialmente para proteger os habitats aquáticos importantes do mundo. A designação garante ao país a obtenção de apoio internacional para financiar projetos e criar um cenário favorável à cooperação internacional.
Sinônimo de proteção da fauna e flora, Reserva do Taim é ampliada no Sul no RS
Decreto que prevê expansão da área para 32,7 mil hectares foi assinado no dia Mundial do Meio Ambiente