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Sindicalista demitido da Carris garante ser vítima em caso de atestado médico fraudado

Na versão de Alceu Weber, médico que lhe atendeu assinou por outro profissional da saúde

Delegado sindical da Carris, o motorista de ônibus Alceu Weber, que liderou greves e operações-tartaruga em Porto Alegre e teve na sexta-feira a demissão por justa causa confirmada pela empresa, alegou, neste sábado, também ter sido vítima de fraude. Segundo a versão do sindicalista, o médico que lhe atendeu não é o mesmo que assinou o atestado de saúde entregue a Carris. A falsificação do documento embasou a demissão.

“Se esse fato é verdadeiro, sou tão vítima, quanto à empresa. Jamais faria uma infantilidade dessas. Eu estava com o pé machucado, lembro como se fosse hoje. Ele (o médico) me entregou o atestado assinado. Para mim, supostamente, era ele. Eu nunca pedi identidade para verificar se a assinatura era do médico. Segundo ponto: Quando ele carimba CRM não vem à fotografia do lado. E fato, na sexta-feira eu pesquisei na internet o nome do cara, e não é o cara que me atendeu”, alegou. Weber acrescentou que, como ex-funcionário, não pretende mobilizar a categoria para que o defenda. Ele garantiu, também, que ainda não buscou um advogado trabalhista.

Segundo o sindicalista, o atestado em questão foi entregue a ele em maio deste ano, por conta de uma torção no pé, no Postão da Cruzeiro, zona Leste da Capital. Weber explica que os atestados médicos originais ficaram com a Carris, e que ficou somente com os documentos de comprovação de entrega. Ele relata que passou, na oportunidade, inclusive pelo setor médico da companhia e que lá, teve comprovado, pelo médico de plantão da Carris, um edema no tornozelo, validando os atestados. No total, foram cinco dias de afastamento determinados pelo médico do Postão da Cruzeiro e outros dois por ordem do Centro Clínico.

A apuração da gerência da Carris que culminou com o desligamento do sindicalista começou com a constatação de que, por dia, até 80 funcionários dão atestado médico para justificar faltas. O diretor administrativo e procurador da empresa, Pedro Osório Rosa Lima, garante que um formulário da Prefeitura foi usado na falsificação.

Com Webber, na sexta-feira, três pessoas foram afastadas em 2014 por, segundo a Carris, apresentarem atestado médico falso. O caso desta sexta-feira foi comprovado, de acordo com Lima, após ele ir até o consultório do médico que tinha a assinatura no atestado apresentado pelo rodoviário. O procurador garantiu que o profissional negou ter assinado o documento e disse sequer ter atendido o rodoviário. Lima detalhou que o formulário de consulta médica é o mesmo usado pelo atendimento no sistema de saúde municipal. Ele disse não saber como os papeis foram parar nas mãos dos funcionários, já que o médico, que não teve a identidade revelada, não é da rede pública da Capital.

O caso vai ser encaminhado na segunda-feira à 15ª Delegacia de Polícia, já que apresentar atestado falso também é crime, explicou o procurador.

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