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Sindicato calcula em 95% o número de caminhoneiros grevistas no RS

Movimento nega responsabilidade por atos de violência registrados nas estradas gaúchas

Na segunda semana de paralisação da categoria, pelo menos 76 mil caminhoneiros autônomos gaúchos - o equivalente a 95% da categoria - estão parados nas rodovias ou em suas casas. A estimativa é do líder do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) no Rio Grande do Sul, Marco Antônio Scherer. Segundo ele, a segunda-feira registrou maior adesão dos profissionais que são contra a alteração proposta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na lei 12.619, a chamada Lei do Motorista, que limita a jornada de trabalho a oito horas por dia e prevê parada de 30 minutos a cada quatro horas ao volante.

Conforme Scherer, a nova regra vai aumentar o controle sobre os abusos de jornada a que são submetidos os caminhoneiros, sejam eles autônomos ou empregados. Entre outras medidas criticadas, está o cadastro de autônomos e outras mudanças que, segundo o MUBC, reduziram o valor do frete pago pelas empresas. Além disso, o setor protesta contra a alta carga de impostos.

Ainda segundo o representante do movimento no Rio Grande do Sul, a ideia é que os caminhoneiros autônomos permaneçam parados para comprovar a força da categoria e a necessidade de valorização. Questionado sobre pneus incendiados, apedrejamento de para-brisas de caminhões e bloqueio de rodovias, Scherer afirmou que a paralisação é pacífica. “Foi o dia de maior adesão, 95% em todo o Estado. Não compactuamos com esse tipo de atitude de violência nas estradas, certamente devem ser pessoas que estão querendo denegrir a imagem do movimento”, argumentou.

De acordo com o inspetor da comunicação da Polícia Rodoviária Federal, Alessandro Castro , em vários pontos das rodovias houve manifestantes que apedrejaram os veículos dos caminhoneiros que optaram por não paralisar.” O movimento não assume por que tem a multa de R$ 50mil por obstrução, mas sabemos que são caminhoneiros organizado que estão tentando obstruir a passagem dos colegas de profissão”, apontou.

Apesar de negar a participação em ações isoladas no Estado, o líder do MUBC optou por não responder se a entidade foi multada por ter bloqueado alguma estrada federal no Rio Grande do Sul. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), José Carlos Silvano, destacou que se o movimento durar muito tempo, pode ocorrer desabastecimento de combustíveis, matérias primas e bens essenciais. Os hortifrutigranjeiros devem ser os primeiros a desaparecer das gôndolas dos supermercados.


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