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Sindicato dos Rodoviários deve ter eleição acirrada

Quatro chapas disputam pleito que começa neste domingo

MPT já projeta problemas na eleição dos rodoviários
MPT já projeta problemas na eleição dos rodoviários Foto : Tarsila Pereira
Cerca de 2,5 mil rodoviários decidirão o futuro do comando do Sindicato dos Rodoviários, de Porto Alegre, pelos próximos cinco anos. Quatro chapas concorrem às eleições da nova diretoria. A votação começa neste domingo e termina segunda-feira. No início deste ano, a categoria se engajou numa greve que durou 15 dias na Capital, atingindo mais de 1 milhão de passageiros. Concorrem no pleito Adair da Silva (chapa 1), Luís Afonso Martins (chapa 2), Gerson Luís de Ávila Assis (chapa 3) e Alceu da Silva Weber (chapa 4).

Para manter a lisura do processo, o Ministério Público do Trabalho (MPT), por meio do procurador Noedi Rodrigues da Silva, monitora a disputa, marcada por rachas históricos. A divisão entre os trabalhadores ficou evidente durante a última greve, quando rodoviários independentes do sindicato passaram a coordenar o movimento.

“Há uma disputa muito acesa e intensa ao redor da eleição e isso dificultou bastante o estabelecimento de diretrizes mais confiáveis para orientar o processo eleitoral”, afirma o procurador.

Nenhum dos candidatos diz representar o atual comando, que é presidido por Júlio Gamaliel, apesar de o presidente apoiar a chapa de Adair da Silva. Um ponto em comum entre os quatro grupos é o interesse pela greve como um dos instrumentos para lutar por reajustes maiores e melhores condições de trabalho para a categoria.

Em reunião no MPT, ficou definido que o novo presidente tomará posse tão logo sejam apurados os votos. “Assim que assumir, a chapa eleita poderá exercer a sua gestão na sua plenitude. Esperamos que não haja nenhum tipo de impedimento para que isso aconteça”, destaca o procurador Noedi.

Também em reunião se definiu que, para estarem aptos ao voto, os rodoviários devem contar, no mínimo, seis meses de filiação ao sindicato. Empregados que tenham exercido a oposição ao desconto da contribuição assistencial têm direito de participar. A votação de sócios, inclusive de aposentados que permanecem na ativa, será nas garagens das empresas. Os inativos devem ir ao Ginásio Tesourinha, na Cidade Baixa. A eleição ocorre das 16h de domingo às 16h de segunda-feira.

MPT já projeta problemas

Na opinião do procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Noedi Rodrigues da Silva, dois pontos abrem margem para problemas na sucessão do Sindicato dos Rodoviários. Por pressão da comissão eleitoral e consenso das quatro chapas, haverá urnas para votação em todas as garagens das empresas. Na visão de Noedi, deveria ter sido mantido apenas o Ginásio Tesourinha, na Cidade Baixa. Os rodoviários, no entanto, acreditam que centralizar a votação dificultaria o acesso às urnas.

Outro ponto controverso à vontade do MPT, mas apoiado pela comissão eleitoral, é o fato de não haver lista fechada com o nome dos aptos a votar. “Diferentemente da minha expectativa, vamos para uma eleição com uma lista aberta de votantes”, diz. Isso significa que, se na data da votação, uma pessoa apresentar os requisitos, mesmo não tendo nome na relação, poderá participar. “Há muitas divergências quanto às listas dos aposentados, ativos e refiliados. As primeiras listas apontavam para um número próximo de 2,9 mil, mas, pelos critérios, deverá ter um eleitorado de aproximadamente 2,5 mil pessoas. Com a lista aberta, o número pode variar muito”, diz o procurador.

Dívidas de R$ 14 milhões

Para o atual presidente do Sindicato dos Rodoviários, Júlio Gamaliel, a tarefa não será fácil para quem assumir a entidade. “Os candidatos não sabem o tamanho da bronca”, afirma. Segundo ele, a entidade tem uma dívida de em torno de R$ 14 milhões. “Um valor impagável”, diz. A maior parte das dívidas refere-se a processos trabalhistas. Há meses os salários de cerca de 20 funcionários do sindicato estão atrasados, bem como não está mais sendo pago o aluguel da sede na Cidade Baixa.

Sem nenhum patrimônio, a única receita vem dos associados e acaba servindo para amortizar as dívidas. Dos cerca de 10 mil rodoviários que atuam em Porto Alegre (contabilizando os ativos e os inativos), Gamaliel garante que não chegam a 2 mil associados ao sindicato. Ele assumiu a gestão do sindicato em 2011. A entidade completará 102 anos em dezembro.