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Sindicato garante que vai parar o Trensurb mesmo nos horários de pico

Plano de contigência não será suficiente para absorver os 170 mil passageiros nesta segunda

Em agosto de 2011, milhares de pessoas foram prejudicadas com a paralisação de funcionários metroviários em Porto Alegre
Em agosto de 2011, milhares de pessoas foram prejudicadas com a paralisação de funcionários metroviários em Porto Alegre Foto : Pedro Revillion / CP Memória
O Sindicato dos Metroviários (Sindimetrô/RS) decidiu paralisar as atividades por 24 horas, a partir da meia-noite, mesmo com a decisão da Justiça do Trabalho (TRT) que estabelece o funcionamento normal do Trensurb durante os horários de pico, entre Porto Alegre e São Leopoldo. De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, a decisão coletiva de paralisação, formalizada em assembleia geral na quinta-feira passada, segue mantida, já que não há tempo para uma segunda reunião. A assessoria também confirmou que a direção do sindicato está ciente do conteúdo da ordem judicial, por meio da imprensa.

Conforme a decisão da desembargadora Rosane Serafini Casa Nova, caso a Trensurb opere com restrições nos horários de pico, das 5h30min às 8h30min e das 17h30min às 20h30min, o sindicato vai ser multado em R$ 70 mil por horário desatendido. Os oficiais de justiça, porém, ainda não conseguiram notificar os sindicalistas sobre a decisão.

Em 27 anos, os metroviários cruzaram os braços pelo menos 30 vezes, mas nunca em uma segunda-feira. A partir das 22h, os metroviários se reuniriam no pátio da sede da Trensurb, mas uma manobra da direção do Sindimetrô poderia ser chegar ao local só depois da meia-noite para evitar o recebimento da notificação ainda no domingo.

Segundo dados do sindicato, os bilheteiros e seguranças da Trensurb recebem, em média, R$ 800 por mês. Já o salário pago aos pilotos é de R$ 1,4 mil. Para o Sindimetrô, nenhuma proposta de reajuste foi apresentada pela Trensurb, que, no ano passado aumentou em 12% os vencimentos de funcionários de Cargos em Comissão (CCs) e Funções Gratificadas (FGs).

Em contrapartida, a Trensurb esclarece que a proposta de reajuste vai ser apresentada até o fim de maio, conforme um acordo firmado com o próprio sindicato e o Ministério Público (MP). Sobre a reposição salarial dos Ccs, a empresa sustenta que o regularização ocorreu após dois anos sem mudança salarial.

Os metroviários exigem aumento salarial de 21%, alegando que o percentual equivale às perdas com a inflação nos últimos nove anos. O diretor-presidente da Trensurb, Humberto Kasper, disse que a proposta da empresa vai ser divulgada na semana que vem. Ele garante que havia um acordo com a categoria prevendo a extensão das negociações até o fim de maio.

Empresas prometem colocar 350 ônibus para tentar minimizar paralisação

A Metroplan informou que as três empresas de ônibus responsáveis pelo transporte de passageiros entre o Vale do Sinos e Porto Alegre vão colocar nas ruas todos os 350 coletivos que possuem com o objetivo de minimizar os transtornos provocados pela paralisação.

Os coletivos das empresas Vicasa, Central e Real fazem a ligação entre bairros dos municípios por onde passa a linha de trens até as estações. De acordo com o coordenador de Planejamento Operacional da Metroplan, Jackson Lopes, os ônibus ficarão autorizados, na segunda-feira, a seguir viagem até Porto Alegre. Caso no horário de pico haja trens, os carros atuarão normalmente, conduzindo passageiros só até as estações, nos horários de maior movimento.

As linhas das modalidades executivo e semidireto, que não podem levar passageiros em pé, terão autorização para lotar os coletivos. O plano de contingência, no entanto, não vai ser suficiente para transportar todos os usuários de trens, admite Lopes. A Trensurb transporta, por dia, cerca de 170 mil pessoas.

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) montou um esquema especial para reforçar as linhas de ônibus que atendem a zona Norte da Capital (por onde chega o trem) e nas imediações das estações São Pedro, Farrapos e Aeroporto. O efetivo deve ser reforçado com 250 agentes, em pontos estratégicos como saídas e entradas da Capital. Uma linha especial, a LTR8 – Greve Geral Trensurb-Carris, vai ser ativada para atender aos usuários das estações Aeroporto e Farrapos, em direção ao Centro Histórico.

O Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi) também orientou os associados para que se desloquem até a região norte da cidade.



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