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Sintáxi reitera posição contra Uber e pede legalização do serviço

Luiz Nozari afirmou que confia na fiscalização da EPTC

Sintáxi reitera posição contra Uber e pede legalização do serviço
Sintáxi reitera posição contra Uber e pede legalização do serviço Foto : Bruna Cabrera / Especial / CP
A mais nova modalidade de transporte de passageiros, o Uber, começará a funcionar nesta quinta-feira na Capital. O serviço sequer colocou carros nas ruas, mas já causa polêmica junto à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e ao Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi). Em entrevista ao Correio do Povo, o presidente da categoria, Luiz Nozari, reiterou a posição contra a empresa e pede a legalização do serviço.

"É aquilo que já falamos. Somos contra a ilegalidade. Se as autoridades deixarem o Uber atuar sem qualquer legislação, nós também vamos entender que poderemos trabalhar de forma ilegal. Eu não tenho razão para não confiar naquilo que o diretor-presidente (da EPTC) Vanderlei Capellari disse, de que haverá multas aos motoristas que transportarem passageiros de forma clandestina", afirmou Nozari.

Nozari disse que, caso o Uber seja aceito pela sociedade, o serviço deverá ser legalizado com uma votação na Câmara de Vereadores. "Se todos se colocarem a favor deste tipo de transporte, ele deve entrar na lei de maneira democrática. Não pretendemos realizar manifestações por enquanto, mas se observármos que as autoridades não estão cumprindo com aquilo que foi prometido, poderemos adotar uma nova estratégia. Também não iremos tolerar que taxistas agridam motoristas que optem por este serviço", acrescentou. 

Taxistas

O motorista Luciano Silva, de 37 anos, é taxista há 10 anos e é contra a implantação do Uber. “Tudo hoje é pago. Eu quero saber o que a EPTC vai fazer a respeito disso, porque a gente não pode ficar só com o prejuízo”, disse sobre a falta de regulamentação dos motoristas do aplicativo. “Nós pagamos várias taxas para ter concessão, mas eles não pagam nada”, disse. Silva acredita que as facilidades dadas pelo Uber, como o preço baixo, vão fazer com que a demanda de serviço dos taxistas baixe.

Já Fábio Machado, de 38 anos, é empregado, dirige táxi há oitos anos e é a favor do Uber. “Eu sou a favor porque de repente vai desmanchar o cartel do táxi e dar vantagem para o taxista como empregado, melhorar a nossa situação” disse. Machado acredita que o Uber vai obrigar os donos de táxis a melhorarem o serviço. “Tem muito proprietário que fica com o mesmo carro há 10, 12 anos e não troca, mesmo tendo condições. Eles pagam menos (ao empregado) com a desculpa de trocar de carro e não trocam. Com o Uber pode ser que a gente tenha um carro apresentável”, completou.

A reportagem tentou falar com inúmeros taxistas, no entanto, a maioria declinou da ideia de gravar um depoimento com medo de sofrer algum tipo de represália. Segundo informações da repórter Mauren Xavier, a pedido do prefeito José Fortunati, a EPTC agendou uma reunião com representantes do Uber para esta sexta-feira, mas o encontro já teria sido cancelado, já que Capellari está em Brasília.