A Secretaria Municipal do Meio Ambiente tem um trabalho feito por bióloga sobre a presença dos pássaros. O titular da Pasta, Arildo Gonçalves de Oliveira, informa que está acompanhando o caso e vê como uma das saídas o manejo das aves. A explicação vem de pesquisa feita pela bióloga Letícia Souto de Freitas, que estuda o comportamento desses pássaros. Ela relata que, em Alegrete, é possível há alguns anos observar a revoada de aves que procuram abrigo e pernoite na praça central. São a garça-branca-pequena, o tapicuru-de-cara-pelada, conhecido regionalmente como corvinho, e a maria-faceira ou socó. Os dois primeiros encontram-se em bandos mistos sobre lavouras.
Já o socó é a espécie vista em maior número na praça e tem como principal característica o colorido da plumagem e do bico. É uma ave originalmente brasileira, anda com o par e, embora passe o dia em áreas úmidas, procura ambiente seco à noite. A espécie foi inclusive encontrada fazendo ninhos na praça.
Segundo Letícia, o deslocamento dessas espécies para o ambiente urbano à noite pode ser atribuído a situações como a expansão agrícola e a perda de hábitats, bem como a ausência de predadores na cidade ou a simples existência de árvores que propiciam abrigo. No entanto, segundo ela, a falta de estudos sobre a fauna e flora locais não permite fazer afirmações.
Sabe-se que as fezes ácidas das aves, em grande quantidade, danificam a vegetação do local onde pernoitam e causam desconforto à população. Porém, conforme a lei 9.605/98, matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, sem licença ou em desacordo com esta, é crime passivo de detenção e multa. Assim, no caso de Alegrete, a comunidade deve cobrar a solução do problema ao município, que pode realizar limpeza do local e estudos para o manejo, recomenda a bióloga.