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Softwares livres são mais seguros contra invasões, garantem especialistas

Saiba como se proteger de ataques como os que ocorreram em sites governamentais<br />

O software livre é o sistema operacional mais seguro para ser usado na internet, segundo especialistas da área que participam da 12ª edição do FISL desde quarta-feira, em Porto Alegre. O diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Marcos Mazoni, afirmou que a maior parte dos sites do governo federal é desenvolvida com essa ferramenta por ter código aberto e facilitar as atualizações operacionais.

A vantagem desse tipo de software é que as falhas são corrigidas rapidamente, diferentemente dos programas vendidos por empresas, que têm o código restrito. “Em um software de código fechado, a confiança precisa passar pela empresa que fornece o serviço e, muitas vezes, ela ainda julga se sua necessidade é procedente ou não. Nos sistemas de código aberto, é possível alteramos, adaptarmos e mudarmos o sistema de acordo com nossas necessidades”, ressaltou o especialista em segurança da informação do Serpro Tiago Iahn.

Segundo Marcos Mazoni, o recente ataque a sites do governo poderia ter sido mais grave, caso o sistema fosse fechado, como o Windows, por exemplo. Ele explicou que a invasão dos hackers ao site da Presidência da República foi contido graças aos recursos do software livre. “Se o software fosse do tipo proprietário, é possível que o ataque tivesse sido maior”, disse. “Pelo fato de conhecermos os códigos, a gente vai adaptando conforme a segurança na rede”, acrescentou. Os demais ataques, segundo Mazoni, foram feitos com sobrecarga nos endereços governamentais, com excesso de requisições, e isso não dá acesso a dados da página, o que não caracteriza invasão.

Além de órgãos do governo e empresas, os usuários comuns também podem utilizar o software livre. E para eles, esse sistema também é mais seguro do que os demais, porque “as correções são feitas de forma automática e independente”, disse Mazoni. O que falta é mais informação sobre esse recurso. “Um dos navegadores mais usados na internet, o Mozilla, é desenvolvido com esse sistema e muitas pessoas usam e nem sabem”, afirmou. O titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos, Marcínio Tavares Neto, concorda que haja mais segurança com o software livre, mas ele descreve outros motivos. Segundo o delegado, os criminosos não têm interesse em propagar um vírus, por exemplo, em um sistema pouco utilizado. Além disso, as pessoas que recorrem ao sistema, geralmente, dominam mais a rede e, por isso, são mais cautelosas.

Saiba como se proteger de ataques

Tanto o presidente do Serpro como o delegado afirmam que as pessoas devem ter o mesmo cuidado que têm no dia-a-dia com o acesso à rede. “A internet não criou nenhum tipo de situação sociológica e crimes diferentes. Quem está do outro lado é uma pessoa”, alerta Mazoni. “Não se deve conversar com estranhos na internet. Você pode receber o e-mail de um banco para atualizar dados, mas os bancos não fazem isso. Essas informações privadas devem ser passadas de forma presencial”, explicou.

Segundo o delegado Tavares, a média de ataques a correntistas no Brasil é de mais de 2 mil por dia. Portanto, a orientação é que internautas não cliquem em links estranhos, ou com pedidos para “executar” algum programa. O delegado disse que, em tese, utilizar o site de um banco é seguro, mas isso depende de quando e como se acessa. “Eu não tenho conhecimento recente de ataques a páginas de banco. Os criminosos atacam o usuário. Por isso, ele deve se preocupar com a máquina dele”, afirmou. “A gente orienta as pessoas a terem cautela. Elas devem ter um sistema operacional original, manter atualização com antivírus. Devem ter atenção e não ficar clicando em tudo. Tem que ter segurança, como se tem na rua”, ressaltou. “O usuário é peça fundamental, embora não exista segurança 100%.”

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