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Sogipa e prefeitura divergem sobre laudos contra incêndio

Prédio da sede social do clube da zona Norte de Porto Alegre pegou fogo

Prédio do complexo esportivo na zona Norte de Porto Alegre pegou fogo
Prédio do complexo esportivo na zona Norte de Porto Alegre pegou fogo Foto : Tarsila Pereira
A Sogipa e a prefeitura de Porto Alegre divergem sobre o laudo de proteção contra incêndio do clube, atingido por um incêndio na madrugada desta sexta-feira. O complexo esportivo, localizado na zona Norte de Porto Alegre, teve pelo menos e terceiro andar e térreo danificados pelas chamas.

Além disso, o plano de prevenção em proteção contra incêndios (PPCI) do 1º Comando Regional de Bombeiros também não foi emitido. A Sogipa alega que houve demora na tramitação burocrática. O esclarecimento é do gerente-geral do clube social, João Bauer, em relação à constatação feita pelo capitão Eduardo Rodrigues, subchefe da Seção de Prevenção de Incêndio dos Bombeiros.

A burocracia estaria, sobretudo dentro da Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb). De acordo com João Bauer, o clube já está com todas as instalações necessárias, tendo sido inclusive empregados extintores, hidrantes e mangueira. Além disso, conta também com uma brigada anti-incêndio com 40 integrantes. O plano de prevenção contra incêndio foi protocolado em setembro do ano passado.

Ele assegurou que o clube é seguro, tendo na presidência inclusive um engenheiro de segurança. Lamentando a perda patrimonial, o gerente-geral da Sogipa confirmou o cancelamento da tradicional Oktoberfest neste domingo e demais eventos programados.

Prefeitura diz que Sogipa não fez correções exigidas

Já o supervisor de Controle e Prevenção da Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb), Paulo André Machado, alega que o responsável técnico pelo laudo de proteção contra incêndios da Sogipa não teria corrigido erros no documento. “Ele foi convocado para tomar conhecimento e não tomou as providências para fazer as correções”, declarou. Depois do incêndio registrado na quinta-feira, a prefeitura irá notificar o clube, que pode receber uma multa, ou até ser interditado. “Pelos meus registros, não tinha laudo de incêndio”, declarou.

O laudo deve ser renovado há cada cinco anos e a Sogipa entrou em uma etapa de aprovação do documento em setembro de 2012. “O responsável compareceu, mas não deu seguimento à etapa e ela foi arquivada”, disse Machado. Em 20 de março deste ano, o clube fez novo pedido. “Havia vários itens a serem corrigidos. O responsável técnico foi atendido em três plantões da secretaria. Fizemos todas as tentativas, porém ele não atendeu a lei”, contou. Depois de três meses sem continuação, o processo foi novamente arquivado.

Em janeiro de 2013, foi aberto um processo para licenciamento do gás centralizado. “Também há pendências que não foram atendidas”, disse o supervisor. “A demora da tramitação ocorre porque o responsável técnico não atende à lei. O laudo não tem tramite longo, até porque é um prédio já existente”, disse.

Pela manhã, o clube permaneceu fechado por determinação dos bombeiros, sendo realizada uma perícia do Departamento de Criminalística para apurar as causas do incêndio. João Bauer aguardava a liberação dos espaços que não foram atingidos pelas chamas, sobretudo aqueles que ficam distantes do prédio atingido. “Outras áreas não precisam ficar interditadas”, avaliou.

Conforme nota oficial divulgada pelo clube, “uma parte pequena da sede social da Sogipa foi atingida” pelo incêndio. “O sinistro ficou restrito ao salão Turner, a algumas instalações da Faculdade Sogipa de Educação Física e ao ginásio de esgrima. As salas do Projeto Criança, a Biblioteca e mais de 80% da sede social não foram atingidas”, esclareceu a nota. “Todo o restante do clube, que possui dez hectares, também está intacto”, acrescentou o documento publicado no site. Fundada em 1867, a Sogipa possui cerca de 40 mil associados, sendo um dos clubes mais antigos do país. Sua sede fica no bairro São João.

Com informações dos repórteres Karina Reif.

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