A Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (Sorigs) promoveu o debate “Estratégias para combate à pandemia de Covid-19 no Estado do Rio Grande do Sul - Uma abordagem baseada em evidências científicas” através de transmissão virtual no Facebook. A discussão contou com a participação do reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Rodrigues Curi Hallal, que coordena pesquisa inédita para estimar a presença do novo coronavírus no Estado e infectologista Ricardo Ariel Zimerman.
Conforme a médica oftalmologista e presidente da Sorigs, Terla Castro, o objetivo da transmissão foi auxiliar o Estado a encontrar as melhores alternativas em saúde pública. O debate foi dividido em três blocos. No primeiro, os convidados realizaram breves apresentações sobre temas variados. Hallal começou mostrando diferenças nas taxas de mortalidade por Covid-19 ao redor do mundo. “Se pegamos número de casos, olhamos só o topo do iceberg, porque isso depende muito da política de testagem de cada país”, explicou.
Conforme Hallal, tem uma grande variação na mortalidade, muito menor na Ásia do que na Europa, existe algum efeito da expectativa de vida, mas “com certeza existem outros fatores”. “Na nossa análise não existe nenhuma relação entre mortalidade e densidade populacional, então a minha única mensagem é dizer que nós temos que aprender com os países que vêm obtendo os melhores resultados e não com aqueles que vêm obtendo os piores resultados”, destacou.
Na sequência, o infectologista Ricardo Ariel Zimerman reforçou que tivemos uma mitigação natural por conta do nosso clima. “Em geral os coronavírus parecem gostar mais dos climas frios e secos”, detalhou. Com relação ao distanciamento, Zimerman disse que é preciso encontrar um meio tempo, pois “terminar” rapidamente com a pandemia poderia custar vidas e “prolongar” a pandemia pode prejudicar as mais variadas esferas.
Hallal enfatizou que não dá para confiar em número de casos divulgados, porque ninguém sabe. “A partir de amanhã vai ser o único lugar do mundo onde vamos ter estudos populacionais tendo uma estimativa de quanto tem em uma população grande, no nosso Estado que tem 11,3 milhões de habitantes”, afirmou. De acordo com ele, o teste funciona para identificar o anticorpo.
“Para sabermos o futuro do risco de reinfecção esses trabalhos são fundamentais”, declarou Zimerman, informando que é preciso saber por quanto tempo o anticorpo permanece ativo nas pessoas que já tiveram a doença.