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SOS Estradas: Atraso na ERS 118 freia economia

Demora na duplicação e falta de manutenção na pista antiga causam problemas para região Metropolitana

Mecânico Roberto Bisol concerta o veículo enquanto se pergunta o que vai fazer se perder a oficina mecânica
Mecânico Roberto Bisol concerta o veículo enquanto se pergunta o que vai fazer se perder a oficina mecânica Foto : André Ávila
A ERS 118, uma importante via da região Metropolitana, é mais um exemplo de estrada esburacada no Rio Grande do Sul. Com 38 quilômetros, ela começa em Sapucaia do Sul, passa por Gravataí, Esteio, Cachoeirinha, Alvorada e termina em Viamão. Além das crateras em quase todo o percurso, há trechos com rachaduras e desníveis. Os problemas na pista trazem prejuízos como atrasos na entrega da produção, falhas nos veículos e acidentes.

A relevância da estrada é reconhecida pelo governo gaúcho, que verificou a necessidade de duplicação em razão do grande fluxo de veículos. No entanto, a obra está custando a ser entregue para a população. O presidente da Associação dos Municípios da Grande Porto Alegre (Granpal) e prefeito de Esteio, Gilmar Rinaldi, explica que o projeto se arrasta por quatro governos. "A ERS 118 é fundamental para a região Metropolitana, porque vai formar a primeira parte do anel viário com a BR 448", argumenta. A entidade cobra do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) o recapeamento dos trechos antigos, além do avanço no processo de duplicação. Rinaldi admite que o trabalho está andando, porém emperra de tempos em tempos em uma questão social.

Aproximadamente mil famílias fixaram residência em área invadida às margens da rodovia. Somente em Esteio e Sapucaia do Sul, segundo o prefeito, resta ainda retirar 500 famílias do traçado viário. Muitas resistem em sair. Há comércios, oficinas mecânicas e outros estabelecimentos nesses terrenos. Um dos ocupantes da área é o mecânico Roberto Bisol. Enquanto conserta os veículos com danos causados pelos buracos da ERS 118, afirma que entrou na Justiça contra o governo do Estado. Ele esclarece que pagou pelo terreno em Gravataí, há 13 anos, onde montou uma oficina, e que não sai sem indenização. "Para onde eu vou?", questiona. O caminhão que ele conserta é de Eloí Kolling, de 60 anos. O Mercedes-Benz 1513, de 1973, vinha resistindo às imperfeições do asfalto até quebrar o radiador e provocar um prejuízo de mil reais e outros mil que deixou de ganhar semanalmente com fretes por causa do veículo parado.

O jovem Alexandro Lopes, de 19 anos, compara a duplicação da ERS 118 com a da BR 101. "Aqui as obras nunca terminam. Lá o trecho é maior e já está finalizado", afirma. Em outro ponto, na altura de Sapucaia do Sul, o caminhoneiro Daniel Henrique Chaves, 34 anos, se disse estressado com a dificuldade de tráfego da estrada. Ele passa pelo local quatro vezes ao dia transportando areia. "Está sempre tudo trancado", comenta, mencionando que precisa dirigir devagar para não estragar ainda mais os pneus e a suspensão do veículo.

Para Setcergs, só a gestão resolve

O coordenador da Comissão Permanente de Infraestrutura e Concessões do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), Frank Woodhead, disse que a falta de manutenção e de gestão nas estradas gaúchas é generalizada. Tomou a ERS 118 como exemplo de como não se fazer uma rodovia. "A estrada está em construção há 10 ou 15 anos. Quando finalmente estiver concluída, a capacidade provavelmente estará quase esgotada", critica.

Woodhead assegura que somente estudos técnicos, com avaliação de volume de fluxo, podem identificar as prioridades, os custos e as projeções de necessidades para os próximos anos. Com base nesses dados, é que pode ser feita a matriz rodoviária gaúcha. "Não tem milagre. O grande problema é a gestão." Conforme Woodhead, as estradas com tráfego de mais de 10 mil veículos por dia deveriam ser duplicadas. Contundo, da malha estadual, cerca de 500 quilômetros já deveriam estar alargados, mas não há nem projeto para isso. Já as federais no Rio Grande do Sul, 1,5 mil quilômetros se enquadram na necessidade de duplicação, mas a maioria já está em obras. "Do governo federal, não podemos reclamar", ressalta.

Apenas um trecho foi liberado


Com investimento de mais de R$ 202 milhões, as obras na ERS 118 têm previsão para terminar em dezembro 2014. Porém, até agora só foi liberado um trecho duplicado: entre o km 6,5 e o km 8,5. Os trabalhos de restauração da pista antiga nestes 2 quilômetros, que servirão para quem trafega no sentido Sapucaia do Sul - Viamão, deveriam ter começado em setembro, mas até agora nada foi feito.

O Lote I, que vai do km 11 ao Km 22,4, já está 60% concluído. No Lote II, do km 5 ao km 11, 57% dos serviços estão finalizados. Já o Lote III, que vai do km 0 ao km 5, ainda há necessidade de desapropriação das famílias. Entre os anos de 2008 e 2010 foram aplicados R$ 13,9 milhões nas obras. De 2011 a outubro deste ano, foram outros R$ 49,5 milhões. O Daer estuda a implantação de passarelas em 14 pontos da ERS 118. Também estão previstos viadutos no trajeto.


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