Outra demanda antiga na região é a continuidade da pavimentação da BR 472, que vai até Porto Xavier. O governo federal precisa asfaltar o trecho de 120 km de São Borja a Garruchos. Um dos motivos principais é a construção da hidrelétrica de Garabi, no rio Uruguai. O prefeito de Garruchos, Carlos Cardinal de Oliveira, observa que a Argentina, parceira no empreendimento, já pavimentou as suas estradas, faltando apenas o lado brasileiro. Garruchos ainda espera, há décadas, a pavimentação da RS 176, num trecho de 59 quilômetros, ligando Santo Antônio das Missões à BR 285.
No governo Antônio Britto chegou a ocorrer terraplenagem e instalação de bueiros, mas o processo todo parou. Carlos Cardinal diz que Garruchos paga frete bem mais caro e remunera mal a produção por conta das dificuldades de escoamento. A esperança, porém, é que no atual governo seja assegurada parte dos recursos para as obras. Espera semelhante se refere à rodovia estadual de 72 quilômetros entre São Borja e o município de Manuel Viana. Chegou a ser anunciada licitação para metade do trecho, mas a ideia não avançou, segundo o presidente do Corede Fronteira-Oeste, Hugo Chimenes. O asfalto no trecho é considerado fundamental para completar o anel rodoviário da região e para ajudar na ligação desde o Chile até o porto de Rio Grande.
* Reportagem de Alberi Cogo
Dificuldades para escoar a safra
A falta de conservação e de obras de restauração das rodovias estaduais das regiões Celeiro em da Zona da Produção, está dificultando o transporte da produção agrícola gaúcha, especialmente do trigo, cujas lavouras estão em fase de colheita. O alerta é feito pela Associação dos Municípios da Região Celeiro (Amuceleiro) que reúne 21 prefeituras, e pela Associação dos Municípios da Zona da Produção (Amzop), que abrange outras 42.
"Há vários meses nós estamos chamando a atenção do governo do Estado para as precárias condições das rodovias e percebemos que na maioria das vias a pista está totalmente deteriorada e em péssimas condições, causando grandes transtornos aos motoristas", observa o presidente da Amuceleiro, Claudemir Locatelli.
O dirigente da Amuceleiro informou que a associação realizou um levantamento sobre o estado das rodovias da região. "Recentemente todas as rodovias foram visitadas e fotografadas e percebeu-se que a maioria das estradas precisa de restauração", destaca. Na região Celeiro, as rodovias ERS 330 (Tenente Portela a Miraguaí); ERS 207 (Humaitá a Crissiumal) e VRS 822 (acesso a Esperança do Sul) são as que apresentam os maiores problemas. "Em alguns locais se registram pequenas obras de recuperação, mas as ações ainda são tímidas", afirma Locatelli.
Além disso, ele cita que vários trechos de estradas estaduais ainda não foram asfaltados. Segundo o presidente da Amzop, Zílio Roggia, na Zona da produção o trecho da ERS 150, entre os municípios de Caiçara e Vicente Dutra está em péssimas condições, assim como a ERS 587, e Erval Seco e a BR 386 em Rodeio Bonito. "Vários trechos de estradas que interligam os municípios da Zona da Produção precisam de obras de restauração, mas percebemos uma demora do Estado em executar os trabalhos, o que provoca dificuldades no escoamento da produção agrícola e no transporte de estudantes para universidades e escolas estaduais". Roggia lembra que a região reivindica a retomada de obras de pavimentação de rodovias estaduais. "Como vamos manter o homem no campo e gerar oportunidades de trabalho se o sistema viário é precário?", indaga o presidente da Amzop.
* Reportagem de Agostinho Piovesan
Trecho urbano de Ijuí segue crítico
O entorno da área urbana de Ijuí representa um dos pontos mais críticos da BR 285 na avaliação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A implantação de vias paralelas, cuja elaboração do projeto foi recentemente autorizada pelo Dnit, poderá amenizar o quadro, mas apenas num futuro próximo. Por enquanto, sinaliza o chefe da 10 Delegacia da PRF, Edemilson Schopf, o intenso fluxo segue sendo fator de risco no trecho de aproximadamente 10 quilômetros. A estimativa é de que 30 mil veículos circulam neste trajeto diariamente.
A implantação de vias paralelas vem sendo defendida pela prefeitura há quase uma década. Em outubro do ano passado o Dnit homologou, através do Diário Oficial da União, a habilitação de duas empresas no processo de licitação para a execução do projeto. A vencedora terá prazo de seis meses para a conclusão do trabalho. O vice-prefeito Ubirajara Teixeira reconhece que a melhoria da travessia urbana será fator de segurança para quem utiliza a rodovia com frequência.
A etapa compreende o trecho entre o Aeroporto Municipal e o posto da PRF próximo a um dos principais acessos para a cidade. Edemilson Schopf reconhece que o fluxo de veículos na rodovia está muito acima da capacidade estimada na época da sua construção. A BR 285 está na rota de escoamento de grãos e de produtos entre países vizinhos e o centro do país, com ligação através de São Borja e Uruguaiana. O fluxo médio na rodovia alcança 15 mil veículos, dos quais metade é de carga. Os poucos trechos com terceira pista, próximo a Entre-Ijuís, Caibaté e São Luiz Gonzaga, contribuíram para o melhor fluxo dos veículos leves.
* Reportagem de João Luís Bindé