Domingues também anunciou que as obras de pavimentação asfáltica do Contrato de Restauro e Manutenção (Crema-Serra) iniciarão ainda neste mês, e que é necessária a revitalização de dois lotes de rodovia. O primeiro abrange a reforma de dois trechos que somam mais de 110 quilômetros na ERS 324 e na RSC 470, e o segundo, a revitalização de 90 quilômetros na ERS 122 e na Rota do Sol. Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte apontou que a RSC 470, no trecho entre Bento Gonçalves e Nova Prata, está entre as piores rodovias no Rio Grande do Sul. Por este motivo, é uma das reivindicações da Câmara de Indústria e Comércio da Serra (CICS).
A Rota do Sol, entre o trecho de Lajeado Grande e Tainhas, que também está incluso no Crema-Serra, terá uma operação emergencial, realizada fora do contrato. A previsão é de que os trabalhos iniciem somente no final de janeiro 2014. O Crema-Serra prevê a aplicação de aproximadamente R$ 126 milhões em cerca de 195 quilômetros de rodovias. Conforme João Victor Domingues, os trabalhos de recuperação na ERS 122, entre Vacaria e Caxias, iniciam no dia 25 de novembro, e, em parte da RSC 470, no dia 27 de novembro.
Os anúncios do secretário de Infraestrutura e Logística atendem, em parte, às reivindicações da CICS. O presidente da entidade, Ademar Petry, revela que uma campanha vinha sendo feita com o objetivo de conseguir a retomada de obras na região da Serra. 'Estou visitando as câmaras de vereadores para alertar sobre todas estas questões, para que os parlamentares também possam conversar com a população', explica Petry. A intenção dos empresários locais era fazer uma panfletagem, no final deste mês, caso não fossem ouvidos pelo governo. Agora, com os anúncios da retomada de algumas obras, o cronograma da campanha de mobilização poderá ser alterado.
Verbas para malha viária do RS
Como resposta ao gargalo logístico e ao clamor da população por melhorias nas estradas e nos acessos municipais, o governo do Estado está dando prioridade ao assunto no seu plano estratégico. Nesta semana o Correio do Povo vem publicando uma série de matérias que mostram a dificuldade do transporte de cargas pelo Interior, revelando o drama de quem precisa utilizar as rodovias para chegar a hospitais e os riscos enfrentados pelos motoristas ao trafegar em pistas sem manutenção. "A população está correta em fazer a crítica, pois a malha está há muitos anos abandonada", declarou o secretário de Planejamento, Gestão e Participação Cidadã, João Motta.
Ele garantiu que houve uma decisão de atrair recursos para começar a reverter o quadro. Somente em obras já contratadas ou em fase de contratação serão aplicados R$ 7 bilhões vindos do BNDES, Banco Mundial, União e Estado. Fora isso, há ainda verba para ferrovias, projeto hidroviário e metrô de Porto Alegre. No total, serão R$ 12 bilhões em infraestrutura. 'É o maior volume de investimentos já feitos na estrutura do Rio Grande do Sul em toda a sua história', declarou. Motta explicou que a recuperação e criação de rodovias está sendo feita em dois níveis. O primeiro é a retomada dos investimentos federais nas estradas gaúchas e em novos projetos, e o segundo é a captação de recursos em instituições financeiras.
Do total, R$ 5,5 bilhões vão para obras em estradas federais no Estado. Uma delas é a duplicação da BR 116 entre Porto Alegre e Pelotas e o anel rodoviário no Sul do Estado, com investimento de R$ 1,4 bilhão. A BR 448, entre Porto Alegre e Sapucaia do Sul, deve ser entregue em dezembro. O segundo trecho até Estância Velha segue em fase de licenciamento. A obra foi estimada em R$ 500 milhões. A duplicação da BR 290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande deve custar outros R$ 500 milhões.
Com informações de Karina Reif