Enquanto alguns colecionam objetos como selos, os “spotters” armazenam fotos de aeronaves e concorrem pelo registro mais raro. Nas proximidades das cabeceiras de pistas de voo, os apaixonados por aviação se reúnem para observar os aviões e também para fotografá-los. O hobby é disseminado no mundo inteiro e as imagens costumam ser compartilhadas na internet. O principal objetivo é enquadrar o prefixo do aparelho. Dessa forma, é possível acompanhar o tempo de vida de cada modelo e onde ele está operando.
Além disso, os adeptos procuram detalhes dos aviões e vão atrás de companhias com adesivagem diferente. No sábado, quando foi realizado o 1º Spotter Day do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, os 32 inscritos aguardavam um voo da Avianca decorado com imagens da Turma da Mônica, por exemplo. O registro dessa aeronave vai para o acervo de mais de 30 mil fotografias que o analista de TI Fábio Fonseca, 44 anos, reuniu ao longo de décadas. Ele começou a frequentar o terminal aéreo da Capital ainda criança, junto com o avô que atuava na Força Aérea Brasileira (FAB). No início, ele só observava os detalhes de cada aeronave. Depois começou a fotografá-las. A primeira foto foi de um Boeing 707 da Transbrasil feita do terraço do Salgado Filho em 1992. Assim como outros spotters, adquiriu equipamentos sofisticados para manter o hobby.
O jornalista Leandro Casella, 43 anos, que começou a fotografar aeronaves em 1998, disse que o arsenal fotográfico usado pelos adeptos é superior, muitas vezes, ao utilizado por profissionais da imprensa. Só uma lente que ele leva na mochila custa mais do que 1,5 mil dólares.
Todos esses recursos foram usados no sábado, quando os spotters tiveram oportunidade de ficar mais perto da pista do aeroporto. O gerente de operações, Odone Bizz, ressaltou que, apesar de o evento não ter afetado a rotina do terminal, foram tomadas medidas adicionais de segurança. O grupo ficou a 300 metros da decolagem e aterrissagem dos aviões. A Anac também acompanhou os procedimentos para evitar riscos, conforme Gessilney Gomes, da gerência de segurança.
João Machado, 14 anos, e Felipe Ferret, 17, dormiram no Salgado Filho para não se atrasarem para a atividade, que iniciou às 5h. Ambos seguem o mesmo modelo dos spotters mais velhos. “Só muda a idade”, observou João. Além de fotografar os aviões, eles puderam conhecer outros departamentos do terminal e também os dois falcões utilizados para o controle de aves. O superintendente do aeroporto, Wilson Brandt Filho, avaliou que o evento teve uma excelente resposta dos participantes.
"Spotters" se reúnem no Salgado Filho para observar e fotografar aviões
Apaixonados por aviação concorrem pelo registro mais raro