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Subida do Rio Caí deixa Montenegro em alerta

Moradores da cidade investem em canoas devido a seguidas enchentes na região

Rio alagou centenas de casas
Rio alagou centenas de casas Foto : Mauro Schaefer
Subindo cerca de seis centímetros por hora, o Rio Caí transbordou na madrugada desta quarta-feira, em Montenegro, e alagou centenas de casas. O governo do Estado está em alerta já que as águas estão descendo de outras regiões em direção a cidade, segundo o subchefe da Defesa Civil, tenente-coronel Alexandre Martins.

Grande parte dos moradores dos bairros Industrial, Olaria e parte do Centro só conseguiam se deslocar de barco. A água chegou quase na altura da janela de algumas residências durante a manhã. “Foi muito rápido. Estamos cuidando”, contou a aposentada Regina Serpa, 55 anos. A mãe dela, Erci Serpa, 82, observava da janela os estragos provocados pela enchente, que se repete todos os anos.

Silvana Machado, 53 anos, é proprietária de um estabelecimento na rua Fernando Ferrari. Quando ouviu notícias de que o Caí havia subido em São Sebastião do Caí, tratou de colocar todos os equipamentos e móveis em cima de tijolos e outros suportes. Enquanto isso, a casa dela que fica próximo dali já estava enchendo d’água.

O secretário municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania, Juan Rocha, explicou que a prefeitura estava tentando alertar os moradores das áreas ribeirinhas para deixarem as casas temporariamente, em virtude da elevação do Rio Caí. “As pessoas têm receio de saqueamentos e só solicitam ajuda quando a situação chega ao limite”, observou. Os desabrigados eram recebidos no Parque Centenário. Até a mnhã desta quarta, apenas três famílias estavam acomodadas lá. Outras dezenas foram levadas para casas de parentes, ou amigos.

Morador já tem canoa há quatro anos devido enchentes

Para não depender dos vizinhos, o açougueiro Valdair Santos da Rosa, 62 anos, comprou uma canoa há quatro anos. A embarcação, que na época custou R$ 500,00, é utilizada somente para os períodos de chuva, quando ele precisa se deslocar entre as ruas do bairro Industrial. “Não tive escolha. Já cansei de sair para trabalhar com a água no peito”, revelou ele, que já está aposentado. Os demais habitantes também se locomovem dessa forma. Os barcos ficam guardados nas garagens e só são retirados durante as inundações. Nenhum deles é utilizado no Rio Caí.

A dona de casa Ana da Silva, 55 anos, também tem uma canoa. Ela era proprietária de uma padaria, que todos os anos ficava alagada. “Depois da quarta enchente seguida, resolvi fechar. Tive que elevar a altura da casa também”, explicou.