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Suspeito de adulteração de leite, empresário é solto após pagar fiança

Homem de 31 havia sido detido pela manhã por porte ilegal de arma

O empresário Airton Jacó Reidel, suspeito de integrar uma fraude de adulteração de leite no Noroeste do Estado, preso pela manhã por porte ilegal de arma de fogo, pagou fiança, fixada em três salários mínimos, e foi liberado. Já pela suspeita de envolvimento na fraude, ele deve responder em liberdade. O empresário de 31 anos possuía em casa uma pistola Taurus .32 registrada no nome de outra pessoa. Além disso, o delegado João Vitório Barbato revelou que ele não tinha porte para o armamento.

Preso em flagrante, Airton foi ouvido no início da tarde na Delegacia de Três de Maio, porém preferiu manifestar-se somente em juízo. A descoberta foi acidental, uma vez que o Ministério Público (MP) está na cidade para investigar o empresário por misturar água oxigenada ao leite vencido a fim de recolocá-lo no mercado. Também é investigado o uso de soda cáustica e bicarbonato de sódio na fraude.

Segundo o MP, a transportadora Reidel & Dias Ltda. recolhia leite em Três de Maio. O produto era entregue na indústria Bom Gosto, em Giruá. O MP chegou até a empresa em razão do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em função de fraudes identificadas anteriormente – em que a indústria de Giruá se comprometeu a informar em caso de identificação de leite adulterado. Em três análises foram verificadas adulterações e o MP foi avisado.

Em um galpão pertencente a Reidel, foram apreendidos três resfriadores de leite, sal e um produto denominado alisarol, utilizado para analisar a qualidade do leite. Na casa do emprésario, foi encontrado um galão de soda cáustica e talões de notas dos produtores rurais, o que levantou a suspeita de que o volume de leite transportado tenha sido alterado para mais.

A mulher de Reidel, Rejane Dias, 32 anos, também prestou depoimento e, igualmente, preferiu falar somente em juízo. O advogado do casal alegou que os clientes não tinham conhecimento de fraude no leite, nem da arma encontrada, que foi encontrada dentro de uma bota feminina, que pertence à esposa do empresário. Airton Reidel e os sobrinhos dele, Roberto Carlos Baugarten e Laércio Baugarten, que eram os motoristas dos caminhões, prestarão depoimento no dia 19 de novembro.

Água oxigenada, soda cáustica e ácido apreendidos

A operação desta quinta-feira resultou na apreensão de 50 litros de água oxigenada, 100 litros de soda cáustica, 50 litros de ácido ainda não identificado, um saco de 12 quilos de bicarbonato de sódio, além de três caminhões da empresa retidos para perícia.

Conforme a Receita Estadual, o empresário foi responsável no último ano pela compra de 25 quilos de bicarbonato de sódio, 400 litros de hidróxido de sódio (soda cáustica) e 110 litros de água oxigenada. A operação do MP se baseou em escutas telefônicas e em notas obtidas junto à Receita Estadual.

MP e Ministério da Agricultura divergem sobre fiscalização

Para o promotor de Justiça Especializada Criminal, Mauro Rockenbach, que coordenou a operação Leite Compen$ado III, a falta de regulamentação no transporte do leite segue contribuindo para que aconteçam fraudes envolvendo o produto. “É uma situação que depende de uma regulamentação e isso deve partir do Ministério da Agricultura. Não sei por que não foram tomadas providências em relação a essa atividade. Há muito tempo o Ministério Público solicita que sejam previstos deveres, obrigações e sanções para esse tipo de atividade. Não sei por qual razão não se toma essa providência. Nós estranhamos essa demora para tomar providência de uma atividade importante na cadeia de leite”, declarou o promotor.

Já o delegado do Ministério da Agricultura no Estado, Francisco Signor, discordou alegando que não há necessidade de regulamentação. Signor fala que foi aumentado o controle sobre o leite nas indústrias e ressaltou que o Ministério Público sempre é avisado quando alguma adulteração é identificada. Em maio deste ano, outras duas ações do MP detectaram que transportadores vinham usando ureia no leite (que contém formol). O MP já projeta uma quarta edição da Operação.

Bom Gosto emite nota oficial

Nota de esclarecimento

A Laticínios Bom Gosto informa que o seu rigoroso controle de qualidade detectou a não conformidade de matéria-prima durante o processo de recepção no posto de captação. Imediatamente, seguindo todos os procedimentos, a empresa fez a rejeição e o descarte desse material, que não foi utilizado na fabricação de nenhum produto. Reforçamos que a companhia possui três pontos de checagem de qualidade e que a não conformidade do produto foi detectada na primeira delas. Desta forma, asseguramos que este leite não entrou em nenhum estabelecimento da empresa, logo, não foi utilizado na fabricação de nenhum produto.

Ao mesmo tempo, a Laticínios Bom Gosto comunicou o ocorrido às autoridades competentes, conforme estabelecido pela legislação. A empresa colaborou neste processo e continuará apoiando as autoridades no combate e prevenção às fraudes na distribuição do leite.

A Companhia enfatiza que aprimora permanentemente seu controle de qualidade no recebimento da matéria-prima e em todo o processo produtivo, seguindo os mais altos padrões de qualidade do Brasil, de forma a garantir a integridade dos produtos disponibilizados aos consumidores finais.


Com informações do repórter Antônio Oliveira, da Rádio Canção FM, de Três de Maio




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