O coronel da Defesa Civil Joel Prates Pedroso, um dos suspeitos de participação no suposto desvio de telhas de desabrigados pelas chuvas, entra a partir dessa segunda-feira para a reserva, depois de 31 anos na ativa. No Diário Oficial, a aposentadoria foi publicada na última sexta-feira. Mas, como o alerta de ciclone exigia um quadro experiente, Prates ficou de sobreaviso nesse final de semana. Nas últimas horas, analisou os trâmites das doações de telhas feitas a quartéis da Brigada Militar e a uma parente de um “servidor do terceiro” escalão do Palácio Piratini.
“Mais de trinta anos de trabalho foram jogados no ralo. O pior, na verdade, é macular a imagem da Defesa Civil do Estado”, disse Prates, que garantiu não concorrer a nenhum cargo público em 2010. O coronel reiterou que teve acesso a todos os documentos que desmentiriam qualquer suspeita sobre a doação de telhas a um parente do Palácio Piratini.
“Essa senhora, moradora do Lami, tem dois filhos com paralisia. Depois do incêndio que destruiu parcialmente a casa dela, todos os ritos legais foram obedecidos – registro na Polícia Civil, Defesa Civil municipal e Demhab”, garantiu Joel Prates.
Em novembro de 2007, após o Estado ser assolado por chuvas, a Defesa Civil solicitou à União o envio de telhas para encaminhar às prefeituras. A solicitação foi atendida apenas em outubro de 2008, quase um ano depois. “Quando vieram as telhas, começamos a fazer contato com os prefeitos. A maioria deles nem requisitou o material, pois, depois de um ano, a população já havia sido atendida”.
Com isto, segundo Prates, sobraram 360 mil telhas, colocadas no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, e no Cais do Porto, em Porto Alegre. “À medida em que municípios do interior tinham problemas com chuva e vento, o trâmite burocrático de requisição era feito e, somente após este rito, as doações eram efetivadas”.
De acordo com o ex-subcomandante, a doação do excedente de telhas para quartéis da Brigada Militar é prevista na legislação da Defesa Civil nacional. “A defesa civil não tem quadro, dependemos dos bombeiros e brigada militar. No item da lei que trata do restabelecimento dos serviços públicos, a doação está garantida”. O coronel justifica que até para a Bahia foram doadas telhas, através de solicitação da defesa civil nacional, em junho.
Para a Polícia Civil de Alvorada, as explicações não são razoáveis. No inquérito aberto sobre o suposto desvio de material que deveria atender famílias atingidas pelos temporais, a polícia já tem 11 pessoas indiciadas por receptação.
A possível responsabilização de Joel Prates só será anunciada em entrevista coletiva, daqui a duas semanas, com a presença da cúpula da chefia de polícia.
Suspeito de participação em desvio de telhas é aposentado
Coronel Joel Prates ficou durante 31 anos na ativa