Com a alta probabilidade de falta de ônibus nas ruas, o Sindicato dos Taxistas (Sintáxi) da Capital alerta para a possível aparente falta de veículos em circulação, já que a demanda deve ser muito maior. “Os táxis vão trabalhar. Quem quiser participar da manifestação, que deixe o carro em casa. Mas taxista é autônomo. É muito difícil taxista fazer greve”, justificou o presidente do Sintáxi, Luiz Nozari, já que um dia a menos de trabalho compromete a renda do motorista.
Os rodoviários de Porto Alegre garantem que, se depender da categoria, os ônibus não sairão das garagens das empresas. Além disso, passeatas podem causar congestionamento em importantes avenidas da Capital. Por isso, 250 agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) serão empregados para orientar o trânsito desde as primeiras horas da manhã.
Diante da mobilização, a empresa ainda articula uma reunião com a Brigada Militar (BM) para costurar ações que garantam a segurança nas ruas e evitam possíveis confrontos. “Vamos monitorar a situação desde as garagens das empresas, para que não haja vandalismo. Vamos solicitar à BM também ações que garantam a segurança das pessoas”, informou o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari em entrevista ao site do Correio do Povo.
A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), além de lideranças das empresas e dos rodoviários, também deve estar presente. Mas a decisão sobre a saída dos ônibus das garagens será tomada no horário da partida dos coletivos. "Os ônibus para funcionarem precisam de motorista, cobrador e condições de segurança", ressaltou o presidente da ATP, Ênio Roberto dos Reis.
A Metroplan, através de seu diretor Marcos Damiani, informou que a entidade vai trabalhar normalmente, mas que o Sindicato dos Trabalhadores garantiu participação na greve e a não circulação dos ônibus que atendem a região Metropolitana.
Já sobre as lotações, ainda permanece a dúvida. Caso a circulação seja garantida, os passageiros serão transportados de pé. “Se houver necessidade pra isso, vai ser adotado”, sintetizou Cappellari. No entanto, a decisão será tomada conforme a necessidade.
O Sindicato dos Aeroviários convocou a categoria para a greve, mas a decisão pela adesão será individual. A entidade representa os aeroviários que atuam em terra com a manutenção ou realizam os serviços nos aeroportos oferecidos por empresas de aviação comercial.
A EPTC também fará tratativas com o Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre o efetivo mínimo de trabalhadores que deve estar em serviço. "Isso é para que a gente possa manter o serviço essencial para a população, especialmente a população carente que não tem carro próprio, por exemplo", salientou Cappellari.
Mesmo com a greve, o funcionamento do trens da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. (Trensurb) ocorrerá em dois períodos: das 5h30min às 8h30min e das 17h30min às 20h30min, horários de pico.
Servidores públicos
Os municipários de Porto Alegre não devem trabalhar. De acordo com a diretora geral do Sindicato dos Municipários da Capital (Simpa), Carmen Jasper, somente os serviços essenciais, como o Hospital de Pronto Socorro (HPS), devem continuar funcionando.
Já a Secretaria da Saúde afirmou que ainda aguarda decisão do prefeito José Fortunati sobre a abertura de postos de saúde. A resposta deve ser dada no início da tarde desta quarta-feira.
O mesmo ocorre com o governo do Estado. A Secretaria de Administração e Recursos Humanos (SARH) informou que a decisão deve sair à tarde, até o final do expediente.
Além de Porto Alegre, ambém ocorrerão atos em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Ceará, Espírito Santo, Amazonas e Rio Grande do Norte. No Distrito Federal (DF), os manifestantes devem seguir em passeata até o Congresso Nacional.
Com informações dos repórteres Rafaella Fraga, Marcos Koboldt e Jerônimo Pires