O óleo vazado de uma monoboia da Transpetro chegou à beira da praia durante a tarde. A preocupação com o rio ocorre, de acordo com técnicos do Ibama, para evitar mortandade de peixes, cuja fauna depende muito do desenvolvimento no estuário.
Junto com o Ibama, funcionários da Transpetro e das empresas terceirizadas utilizam pás para cavar os pontos de areia atingido que são colocados em sacos plásticos reforçados. Retrosecavadeiras e guinchos carregam estes envólucros até caminhos e caminhonetes para descarte apropriado.
Da Petrobras, responsável pela Transpetro, não são feitos pronunciamentos oficiais, apenas foi informado que a estrutura montada irá trabalhar pelo menos até a manhã desta sexta-feira. No mar foram colocadas boias de contenção, assim como ao longo do rio, na tentativa de que não ocorra um agravamento da situação.
O prefeito de Tramandaí, Anderson Hoffmeister relatou que firmou um compromisso com a Transpetro para garantir balneabilidade da praia para o final de semana. "Já foi limpa grande parte da praia, da guarita 150 à 140, com equipes da Transpetro, cooperação do Exército e Ibama", explicou. "É uma determinação nossa e da Transpetro que tornemos as condições de balneabilidade viáveis o mais rápido possível, pois chegamos a uma sexta com fluxo muito grande à capital das praias. A ideia é ter o principal ponto de banho disponível ainda durante a manhã de sexta", projetou.
Conforme o Ibama, uma análise do tamanho e repercussão ambiental da mancha só será possível a partir de amanhã. A multa será proporcional ao tamanho do vazamento.
Material chegou às areias de Tramandaí no final da tarde e também atinge rio / Foto: Pedro Revillion
Mancha atinge 5 quilômetros na orla
Técnicos da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), da Petrobras, do Comando Ambiental e do Corpo de Bombeiros monitoram a mancha de petróleo, que chegou por volta das 18h15min à orla. Em alto-mar, o óleo se estendia por 3,5 quilômetros quadrados mas, ao chegar à areia, se estendeu por cerca de 5 quilômetros, desde a Arena do Bolamar até a Barra. O total de cobertura chega a cem campos de futebol.
A Brigada Militar orienta os veranistas a não se aproximarem da praia porque o contato do petróleo cru misturado a hidrocarbonetos pode causar danos à pele. A Petrobras levou cerca de cem homens ao local para trabalhar na contenção, mas ainda não definiu qual método será utilizado. Veranistas que se aproximam para ver a movimentação são avisados pelos salva-vidas a não pisarem na areia.
Um avião da Petrobras despejou um produto químico que endurece o produto para facilitar a retenção. O incidente aconteceu durante uma operação de descarregamento em uma monoboia da Transpetro a cinco quilômetros da orla.
Com informações dos repórteres Sandro Sauer e Paulo Tavares