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Tartarugas de água doce são monitoradas em Osório

Fêmeas usam margens da Lagoa do Marcelino para colocar ovos

Animais são identificados quanto à espécie e ao sexo
Animais são identificados quanto à espécie e ao sexo Foto : Vinícius Yuri Ferri / Divulgação / CP
A Secretaria de Meio Ambiente e Gestão Urbana de Osório e o Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), vinculado ao Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), estão monitorando as tartarugas de água doce na Lagoa do Marcelino, no bairro Porto Lacustre. Segundo a bióloga Denise Mirian Araujo, na primavera e no verão, grande quantidade de quelônios usa as margens do lago para pôr ovos. Essa atividade natural tem entrado em conflito com o desenvolvimento urbano decorrente da construção, na temporada passada, de um local de lazer às margens da lagoa.

Houve a abertura de ruas e a construção de um parque de skate, resultando em intenso fluxo de veículos e na presença de muitas pessoas, especialmente nos fins de semana. “Esse movimento agrava o problema, pois, durante o trajeto, as tartarugas podem ser atropeladas ou ainda sofrer interferência humana nas suas atividades biológicas”, explica.

O projeto começou em setembro e é realizado por quatro biólogos e três acadêmicos de Biologia da Ufrgs. Conforme Denise, já houve 12 monitoramentos na lagoa, onde foram capturados, marcados e medidos 15 répteis, 14 deles da espécie tigre-d’água e um cágado-preto, além da marcação de três pontos de desovas. A bióloga explica que é feita a verificação de medidas e da massa, com fita métrica e balança. Também são usados GPS, para registrar o ponto de captura ou presença de desova, e câmera fotográfica. Os animais são identificados quanto à espécie e ao sexo. Cada um recebe marcação no casco para posterior estimativa do tamanho populacional.

O monitoramento ocorre três vezes por semana, das 7h30min às 11h, horário de maior atividade dos répteis. A pesquisa visa conhecer as espécies e identificar os hábitats ocupados e o período reprodutivo, além de alertar sobre a importância da conservação da fauna. Algumas formas de proteção já ocorrem, como a colocação de placas, identificando a área de desova e a necessidade de redução de velocidade. Segundo Denise, a próxima medida é a construção de duas passagens de animais, uma delas subterrânea, que poderão reduzir casos de atropelamentos de anfíbios, répteirs e mamíferos.

O projeto foi divulgado nas escolas municipais, com palestra, sessão de vídeo e atividades lúdicas. Também já teve início o agendamento de visitas à lagoa por estudantes e comunidade. Para 2013, serão confeccionados banners e placa educativa.

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