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Tartarugas marinhas debilitadas recebem tratamento em Rio Grande

Centro de Recuperação de Animais Marinhos cuida de espécimes que ingeriram lixo no mar

Tartarugas marinhas debilitadas recebem tratamento em Rio Grande
Tartarugas marinhas debilitadas recebem tratamento em Rio Grande Foto : Carlos Queiroz / Especial CP
O Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), do Museu Oceanográfico da Furg, está tratando 32 tartarugas marinhas, levadas para o local nas últimas três semanas. Só na terça-feira, chegaram nove. Todas debilitadas devido à ingestão de lixo encontrado no mar. São tartarugas jovens das espécies verde, tartaruga-de-pente e cabeçuda, recolhidas na região do Cassino a Barra do Chuí, Sâo José do Norte, Tavares e Mostardas, em monitoramentos de praia realizados pelo Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) da Lagoa do Peixe.

Conforme a bióloga marinha Roberta Petitet e o veterinário Pedro Bruno, do Cram, todas apresentam quadro típico de ingestão de lixo. Três delas também estão com outros problemas, sendo uma com uma nadadeira estrangulada e outra sem uma nadadeira, ambas provavelmente por contato com rede de pesca, e uma terceira com o casco quebrado, o que deve ter ocorrido por choque com alguma embarcação. O tratamento no Cram se dá com hidratação, antibiótico e óleo mineral. Esse último objetiva fazer com que o fluxo gastrointestinal volte ao normal, para ver se elas expelem o lixo.

Pedro Bruno destaca que 99% das tartarugas que chegam ao Cram são vítimas de ingestão de lixo. Ele contou que há dois meses havia 15 tartarugas marinhas no Cram, das quais 80% morreram. E nas necropsias foi constatado que todas tinham ingerido resíduos. Segundo o veterinário, esses animais têm seus hábitos alimentares preferenciais, mas são oportunistas, alimentando-se também de outros organismos. Por isso acabam ingerindo estes materiais. Ele ressalta a necessidade de as pessoas se conscientizarem de que não basta só deixar de jogar lixo no mar, pois o que é jogado nas ruas é levado pelas chuvas para as valetas, arroios e rios, pelos quais chegam às lagoas e ao mar.


Centro de Recuperação de Animais Marinhos cuida de espécimes que ingeriram lixo no mar | Foto: Carlos Queiroz / Especial CP

O diretor do Museu Oceanográfico da Furg, oceanólogo Lauro Barcellos, informa que a quantidade de lixo no oceano está aumentando. "É consequência de falta de educação ambiental e de um desordenamento da ocupação litorânea por comunidades, e que, infelizmente, afeta diretamente as tartarugas marinhas. Nos monitoramentos que o Museu Oceanográfico realiza, observamos grandes quantidades de lixo depositadas na praia entre Mostardas e Chuí", afirma. 

A equipe do Cram ainda não tem previsão de quando os animais estarão reabilitados e em condições de serem reconduzidos ao mar. As tartarugas verde e cabeçuda, que costumam utilizar a costa do Rio Grande do Sul em busca de alimento, e a de-pente são espécies ameaçadas de extinção, sendo que essa última está em fase crítica. As de-pente não são comuns na costa gaúcha, são de regiões mais quentes.

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