Geral

TCE aponta déficit na educação infantil do Rio Grande do Sul

Dos 496 municípios gaúchos, 117 não tinham creches em 2011

TCE aponta déficit na educação infantil do Rio Grande do Sul
TCE aponta déficit na educação infantil do Rio Grande do Sul Foto : Claudir Tigre / TCE / CP
Os prefeitos gaúchos que assumem no dia 1º de janeiro terão de criar 102 mil vagas de pré-escola, até 2016, para cumprir as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE). Outras 138 mil vagas em creches devem ser criadas até 2020. Quem não alcançar o índice poderá sofrer apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) e ter as suas contas rejeitadas. Em 2011, uma em cada quatro crianças do Rio Grande do Sul teve acesso a uma creche. 

O alerta foi dado nesta terça-feira pelo TCE, ao divulgar a pesquisa anual sobre a educação infantil no Estado. O estudo mostra que o Rio Grande do Sul não conseguiu cumprir as duas metas estabelecidas pelo PNE entre os anos de 2001 e 2010: colocar 50% das crianças de até três anos na creche e 80% da população até cinco anos na pré-escola. A primeira meta ainda pode ser alcançada até 2020. Com relação à pré-escola, a meta agora é chegar a 100% de acesso até 2016.

No ranking dos estados, o Rio Grande do Sul ocupa a 14ª posição na taxa de atendimento da educação infantil. Em 2008, era 19º. Araricá, no Vale dos Sinos, teve o melhor desempenho do Estado, com taxa de 92,63%. Na outra ponta da tabela está Pedras Altas, na região Sul, com apenas 6,9% de atendimento. Considerando-se apenas a taxa referente às pré-escolas, o Rio Grande do Sul fica na 26ª posição com 63,39% de crianças atendidas, à frente apenas de Goiás.

Segundo o auditor público externo do TCE Hilário Royer, que coordenou a pesquisa, apenas 27 dos 496 municípios gaúchos cumpriram as metas estabelecidas no PNE. Em 117 cidades não há creches. Royer destaca que trata-se de um problema social. “A mãe não vai poder trabalhar porque não tem com quem deixar o filho. Muitas acabam contratando vizinhos. Isso não é educação infantil”, destacou. Ele ressaltou a necessidade de buscar recursos federais e estaduais para cumprir as metas. “Tem que haver um choque não só de recursos, mas também de gestão.”

O presidente do TCE-RS, Cezar Miola, afirmou que o déficit é significativo e que muitos municípios poderão ter dificuldade em cumprir as metas, mas salientou que a responsabilidade do tribunal é identificar este quadro. “Nas situações em que não houver a criação de novas vagas, isto será apontado nos nossos relatórios de auditoria e, dependendo de cada situação, poderá haver a aplicação de multa ou até a emissão de parecer desfavorável as contas, considerando as peculiaridades”, disse. No dia 5 de dezembro, o TCE-RS realiza uma audiência pública com o tema “Educação infantil: avaliação e perspectivas”.

Para o presidente da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), Ary Vanazzi, as metas estabelecidas pelo PNE são impossíveis de serem cumpridas com o atual modelo de financiamento da educação. “Da forma como está estruturado hoje o repasse de recursos, é impossível cumprir as metas até 2016. Não tem nenhuma possibilidade”, afirmou. “O dinheiro que vem do Fundeb mal dá para cobrir a folha de pagamento.” De acordo com ele, a defesa de um novo modelo de financiamento está na pauta da Famurs.

Bookmark and Share