Conectar conhecimentos médicos específicos com os locais onde existe demanda por atendimento é o desafio da telessaúde. Esse campo alia o uso de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) para oferecer remotamente serviços e cuidados em saúde.
Apesar de recente, o método não é novidade: desde o início do século XX, o rádio é utilizado para atendimentos médicos em locais de difícil acesso, como a Antártida. Em episódios recentes de guerra, como a do Iraque, médicos especialistas realizaram atendimentos por videoconferência. No Brasil, o método é empregado em algumas instituições de saúde—como atendimentos por telefone — uma forma limitada.
Um núcleo de pesquisadores, oriundos do Programa de Pós-Graduação da Unisinos, propõe a massificação da telessaúde. “O Brasil tem muito mais vocação para fazer o processo funcionar do que os Estados Unidos ou a Europa, onde não há tantos vazios de especialistas”, afirma o ortopedista José Paulo Flores Silva, especialista em Gestão de Negócios de Saúde.
A meta do grupo, que nasceu da inquietação de aproximar a academia do mercado, é criar um instituto de tecnologia em saúde que conecte o conhecimento às necessidades dos pacientes, subtraindo a localização geográfica. “Significa redução dos custos da medicina, alcançando mais pessoas”, argumenta Flores.
A intenção é propor esse tipo de assistência para o poder público e suplementar. O grupo trabalha em um protótipo de software para geoanálise médica. O objetivo é mapear o volume das necessidades dos pacientes em determinado território. Estão sendo utilizados dados do banco do Ministério da Saúde. “Uma instituição não fará isso sozinha. É preciso construir territórios baseados na conectividade”, diz Flores.
O emprego da telessáude possibilitaria o apoio matricial quando o médico de referência do paciente acessa outro profissional para obter conhecimentos específicos. Outro efeito seria a diminuição do tempo de resposta para a necessidade dos pacientes e das filas de espera por atendimento especializado.
Telessaúde conecta médicos à demanda
Grupo faz protótipo de software para mapear necessidades de pacientes