A queda de alguns centímetros do nível do Guaíba, nesta terça-feira, ainda não permite o retorno de milhares de moradores a casas inundadas nas ilhas de Porto Alegre. Enquanto cerca de 250 aceitaram abrigo no Ginásio Tesourinha, outras centenas estão acampadas às margens da BR 290. O número de barracas cresce desde domingo, quando a maior parte dos cerca de 8 mil habitantes do bairro Arquipélago teve residências invadidas pela água.
As famílias não admitem ficar distantes da região por temerem furtos ou estragos ainda maiores. Sem abastecimento de água e energia elétrica, até a água acumulada no asfalto é usada para banho na Ilha da Pintada. Graças a doações, mulheres da comunidade montaram uma cozinha e fazem as refeições para o grupo.
“Fico indo toda hora buscar roupa e comida. Ainda tem. Guardei em cima de um armário, mas de resto foi tudo pro brejo, tudo que tinha construído esse ano”, relata Ana Júlia Silva, moradora de uma área da Ilha da Pintada que não tinha registros anteriores de inundação.
Muitos moradores seguiam, nesta terça-feira, circulando a pé por dentro das ilhas com água na altura da cintura, sem qualquer proteção. Não é mais possível usar veículos leves para acessar as ilhas dos Marinheiros, das Flores e Pintada.
A Defesa Civil municipal usa botes para levar mantimentos ou resgatar aqueles que decidem pedir auxílio. Parte das doações encaminhadas ao Tesourinha chega às ilhas em ônibus da Prefeitura.
Temendo furtos, moradores das Ilhas fazem acampamentos às margens da BR 290
Não há previsão de que água baixe o suficiente para que os desalojados possam voltar para casa