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Temporal provoca estragos no Interior do Estado

Dom Pedrito decretou situação de emergência

Mais de 100 pessoas estão desalojadas em Bagé
Mais de 100 pessoas estão desalojadas em Bagé Foto : Francisco Bosco / Especial CP
A chuva voltou com força nesta quinta-feira e causa transtornos em todo o Estado. O prefeito de Dom Pedrito, Francisco Alves Dias, decretou hoje à tarde situação de emergência no Município. A medida é adotada em razão do agravamento da cheia do Rio Santa Maria. Segundo a Coordenadoria de Defesa Civil, desde quarta-feira pela manhã, foram atendidas centenas de chamados de moradores de áreas ribeirinhas por meio das secretarias de Assistência Social, da Agricultura e de Obras, com o apoio do Corpo de Bombeiros, do Exército e de outras instituições, totalizando mais de seis mil pessoas.

Até o momento, são 249 pessoas desabrigadas e 178 famílias desalojadas. Segundo o documento, não é possível contabilizar as famílias que saem de casa por opção, que é a maioria dos casos. Até à tarde, 3.330 residências encontravam-se sem energia elétrica nas zonas urbana e rural.

As famílias estão sendo encaminhadas para o Ginásio Municipal, para a Sede do PDT e para a Escola Alda Seabra, onde são oferecidos alojamentos, alimentação e agasalhos. Grande número de pessoas também está hospedado em casa de familiares e de amigos.

Na última medição realizada, o nível do Rio Santa Maria já ultrapassava a marca dos 7,10m acima do nível normal, o que preocupa a administração municipal, em razão das previsões de mais chuva para os próximos dias.

Conforme a Prefeitura de Dom Pedrito, são muitos os pontos da cidade e do interior que estão sem energia elétrica e sem água. Conforme o gerente local da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Lionso Furtado, o que mais preocupa é que a água está cada vez mais próxima da subestação da CIA, e se a atingir, toda a cidade ficará sem energia elétrica por medida de segurança.


Chuvas em Pelotas atingem 328,6 milímetros

Em Pelotas, na zona Sul, o acumulado até o início da tarde é de 328,6 milímetros, segundo dados do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da UFPel (CPPMet). A velocidade dos ventos ultrapassaram os 72 km/h.

Para retirar o excesso de água nos canais de macrodrenagem da cidade, o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) monitora o sistema e acionou todas as casas de bombas, que estão em pleno funcionamento, segundo o superintendente de Operações da autarquia, Jonas Silveira.

A macrodrenagem no município é composta pelos canais Santa Bárbara, Pepino, Bento Gonçalves, e Mario Meneghetti, e na praia do Laranjal pelo canal da avenida Espírito Santo. Oito Casas de Bombas, todas funcionando plenamente, realizam a sucção da água acumulada quando ela não escoa por gravidade. Hoje, o canal São Gonçalo estava 1,30 metro acima do normal e o excesso de água é retirado com a ação de motos-bomba. "Apesar da quantidade de chuva, a situação está sob controle", diz Silveira.

A previsão de mais chuva e fortes ventos até domingo mantêm a prefeitura e a coordenadoria de Defesa Civil de Pelotas em estado de alerta. O Serviço Autônomo de Saneamento e Secretaria de Urbanismo (SSU) estão em plantão permanente para resolver problemas que possam surgir e monitoram as regiões que historicamente sofrem com alagamentos. A Secretaria de Cidadania e Assistência Social (SMCas) também está preparada para receber as famílias que possam ficar desabrigadas.

Na previsão do secretário da Defesa Civil, Alípio Azeredo, as águas das chuvas que atingiram a região deveriam começar a desembocar no município na noite desta quinta-feira. Hoje, duas famílias, da Vila Farroupilha e loteamento Guabiroba, que moram à beira do canal Santa Bárbara, precisaram ser removidas para abrigo da Prefeitura.

Azeredo disse que o vento causou transtornos, como queda de árvores e falta de energia, mas levou a intensa nebulosidade para a região Metropolitana. A previsão para Pelotas é de pouca chuva para esta sexta-feira, que volta a se intensificar no sábado.

A Secretaria de Serviços Urbanos (SSU) possui uma retroescavadeira e uma equipe de 12 funcionários em cada região da cidade para atender necessidades urgentes, além do plantão na Secretaria, que se estende pela madrugada. A secretaria conta com equipe própria de mais de 60 servidores para essas ações e em emergências convoca ainda a equipe de prestadora de serviços, o que eleva o número de trabalhadores nas ruas para 400.


Mais de 100 pessoas estão desalojadas em Bagé

Em Bagé, que enfrenta situação de emergência, mais de 100 pessoas ainda continuam desalojadas por causa da enchente do Arroio Bagé. No momento, há cinco pessoas abrigadas na Escola São Pedro, preparada pela Prefeitura para receber as vítimas enchente. As demais estão em casas de parentes e de amigos.

Conforme o prefeito Luís Eduardo Colombo, nas próximas horas, o município vai receber um caminhão com 100 sacolões de alimentos e 100 kits-camas, contendo colchões, travesseiros e lençóis, enviados pela Defesa Civil do Estado para minimizar as dificuldades de quem teve os seus pertences levados pelas águas.

Na manhã desta quinta-feira, o Departamento de Água e Esgotos de Bagé (Daeb), em operação conjunta com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e Secretaria Municipal de Transportes e Circulação, iniciou uma operação de reparos na taipa da Barragem Emergencial, danificada devido às enxurradas dos últimos dias. No dia anterior, o vertedouro da barragem, cuja captação é de 300.000 m³, não comportou o volume da água da chuva e acabou alcançando a estrada e causando danos.

“Até a tarde desta quinta-feira, foram colocados 196 m³ de pedras irregulares, adquiridas junto a uma mineradora local”, segundo afirma Éder Dias Pereira, diretor operacional do Departamento. O trabalho foi interrompido no início da tarde devido às fortes chuvas da manhã. A estrada continua interditada e as atividades serão retomadas tão logo o nível da água baixe.

Conforme o coordenador municipal da Defesa Civil, capitão do Corpo de Bombeiros, Max Meinke, a população pode ficar tranquila já que se trata de um pequeno reservatório usado em períodos de estiagem. Mesmo que haja o rompimento definitivo da taipa a água liberada seguirá o seu curso normal sem nenhum risco para a população urbana.