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Termoelétricas são chamadas a produzir ao máximo

Regiões Sul e Sudeste do País registram consumo exacerbado em função do calor

A situação de estabilidade dos reservatórios de armazenagem de água das usinas hidrelétricas não foi suficiente para tranquilizar o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A ordem foi disparar as usinas térmicas para aliviar o centro de carga decorrente do consumo exacerbado por conta da onda de calor que atinge principalmente as regiões Sul e Sudeste do País. "As térmicas se transformaram em um elemento de garantia do sistema elétrico brasileiro, que tem mais de 90% da sua matriz de origem hídrica", sintetizou o presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Luiz Zancan. Segundo ele, todas as térmicas brasileiras, sendo quatro localizadas no Rio Grande do Sul, que vinham operando entre 30% e 50% da capacidade instalada, passaram a operar a pleno desde quarta-feira.

"Desta forma, o sistema fica mais seguro, reduzindo os riscos de um grande apagão", frisou. Zancan revelou que as térmicas estão gerando 1.415 megawatts (MW), dando fôlego ao Sistema Interligado Nacional (SIN). As usinas térmicas, que operam em sua maioria com turbinas a gás, a carvão, a óleo combustível e a diesel, embora mais caras e poluentes do que as hidrelétricas, passaram a operar como reserva de segurança para o sistema elétrico brasileiro. "Sempre que necessário, são acionadas, normalmente, por ordem de custo de produção, do combustível mais barato para o mais caro. As de carvão estão operando na capacidade máxima", enfatizou. Zancan argumentou que o Brasil passa por um momento de alerta.

O dirigente da ABCM defende a necessidade de realização de um leilão específico, ainda neste semestre, para o incremento da planta de usinas térmicas no País. "Com o leilão, novas usinas que serão implantadas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina assegurariam um incremento de 2.000 MW no sistema", ressaltou. O ONS adotou a medida de ampliar a produção das usinas térmicas para reduzir a dependência de Itaipu e qualificar a segurança do sistema elétrico após o apagão. Zancan recorda que, na passagem de 2007 para 2008, as térmicas foram largamente acionadas para assegurar o enchimento dos reservatórios das hidrelétricas em um começo de verão de chuva reduzida.