Ao falar sobre a futura relação do filho com o pai, a mãe do garoto disse não saber o que pode acontecer, mas acredita que o italiano queria prejudicá-la ao tentar raptar a criança. “Eu pegava meu filho na escola, levava para o hotel para ele estar com o pai, porque eu queria o contato deles. Nem isso serviu. Na realidade, ele queria me ferir, fazer mal pra mim. Ele não estava preocupado em estar com o filho”, contou. “Ele e eu não existe mais. Se eu pudesse cancelá-lo completamente, eu o faria. Agora quanto ao menino, eu não sei”, admitiu.
A mãe aguarda a liberação dos documentos por parte do governo uruguaio para que possa voltar com o filho para casa, em Guaporé, município gaúcho situado na Encosta Superior do Nordeste. No entanto, ainda não há previsão de retorno. Segundo ela, o governo brasileiro a acompanha e a orienta sobre os trâmites burocráticos. “Eles dizem que eles (governo uruguaio) querem se certificar que está tudo de acordo. Eu posso estar com meu filho aqui, mas não devo me ausentar”, explicou.
O menino de quatro anos, que desapareceu no sábado, foi encontrado em Montevidéu na companhia do pai. Segundo a Polícia Federal, o italiano pretendia viajar com o filho para a Itália nessa terça-feira. Pai e filho teriam atravessarado a fronteira do Brasil, por terra, nas proximidades de Jaguarão. O pai deverá permanecer preso no Uruguai até a decisão da extradição.
O italiano veio da Europa para visitar a criança com o aval da Justiça. Ele deixou o passaporte retido com o Conselho Tutelar. Porém, no dia em que deveria entregar o filho à mãe, ela não encontrou o menino no hotel onde o homem estava hospedado.
Os funcionários do estabelecimento afirmaram terem visto ambos pela última vez no sábado pela manhã. A mãe registrou o desaparecimento na Polícia Civil, que remeteu o caso ao Ministério Público Federal (MPF) de Bento Gonçalves. O menino nasceu na Itália, mas mora com a mãe no Brasil há um ano.
Ministra dos Direitos Humanos acredita em retorno rápido
A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse à Rádio Guaíba que o Consulado Brasileiro no Uruguai forneceu apoio e suporte à mãe do menino e facilitou para que ambos ficassem juntos. “Nós viabilizamos o acompanhamento da mãe, para que ela fosse recepcionada no aeroporto de Carrasco, para que ela fosse levada até a Interpol, onde está preso o pai da criança e depois prestasse depoimento e já pudesse receber autorização para ver e ficar com o filho”, detalhou.
Maria do Rosário espera que seja fácil o desembaraço do caso. “Nós acreditamos em uma liberação rápida, porque está configurado todo uma atitude errada do pai e, ainda que seja pai biológico, uma criança não pode sair do Brasil sem autorização de ambos (pai e mãe)”, explicou. “Se a criança fosse levada à Europa, nós teríamos grandes dificuldades. Teríamos que produzir um procedimento judicial do Brasil, fazer uma carta à autoridade italiana, e lá moveria-se um processo judicial, muitas vezes moroso, para a devolução da criança,” relatou.
Casos semelhantes, porém, têm sido comuns, conforme a ministra. “Ocorre que essa situação de pais estrangeiros tem nos trazido problemas. Nós temos um grande número de casos de mulheres que viviam no exterior, muitas delas sofreram violência, talvez não seja esse caso, mas existe muito isso e, essas mulheres voltaram para o Brasil. Ao voltar com seus filhos, tem sido comum a tentativa do pai das crianças de levá-las de novo ao estrangeiro", acrescentou a ministra.